A sede de um projeto social dedicado ao acolhimento de migrantes e refugiados foi alvo de um ato de vandalismo devastador, apenas um mês antes de sua inauguração planejada. O incidente ocorreu em Marechal Cândido Rondon, uma cidade localizada na região oeste do estado do Paraná, deixando a comunidade local e organizadores em estado de choque.
Destruição de um espaço de esperança
O local, que estava completamente preparado para receber aproximadamente trinta pessoas – todas já empregadas em empresas da região –, foi invadido por criminosos que causaram sérios danos à estrutura e furtaram uma grande quantidade de equipamentos essenciais. A situação veio à tona na manhã de sábado, dia 24 de fevereiro, quando Edna Nunes, responsável pela Organização Não-Governamental Embaixada Solidária, com sede em Toledo, visitou o imóvel e encontrou o espaço completamente depredado.
Projeto abrangente e impacto social
O projeto social tinha como objetivo muito mais do que apenas oferecer moradia. Ele previa a instalação de um escritório da ONG, um condomínio de moradia solidária especificamente para migrantes e refugiados, além de oferecer cursos profissionalizantes e atendimento médico e jurídico gratuito. Segundo os organizadores, essa iniciativa atendia pessoas originárias de quarenta e sete países diferentes e de todos os estados brasileiros, com a maioria dos estrangeiros sendo da Venezuela, Haiti, Cuba, Egito e Paraguai.
Investigações policiais em andamento
A Polícia Civil informou que as investigações estão atualmente na fase inicial de levantamento de informações. De acordo com as autoridades, os responsáveis pelo ato são moradores do bairro Augusto e teriam cometido os crimes entre os dias 17 e 24 de janeiro. Até o momento, os suspeitos ainda não foram formalmente identificados ou presos, o que aumenta a preocupação com a segurança do local.
Prejuízos materiais significativos
Conforme relato da Polícia Militar, a equipe foi acionada por volta das 10 horas da manhã para atender a ocorrência em uma área rural próxima à Rua Bem-te-vi, no bairro Jardim São Francisco. O responsável pelo imóvel, que abrigava uma antiga boate, explicou que o prédio estava alugado para a implantação do projeto social e que ele não visitava o espaço havia cerca de nove dias. Ao retornar, ele constatou um cenário de destruição: furto de eletrodomésticos, móveis e toda a fiação elétrica, além de portas arrombadas e danificadas.
Lista detalhada dos itens furtados
Posteriormente, em complemento ao boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o responsável apresentou um levantamento minucioso dos prejuízos. Entre os itens furtados estão:
- Oito geladeiras
- Dez fogões
- Dez sofás
- Trinta beliches
- Vinte colchões de casal
- Nove pias de inox
- Quinze móveis de cozinha
- Cinquenta cadeiras
- Dez mesas
- Um freezer cervejeira
- Dezoito armários de escritório
- Dezesseis chuveiros
- Seis ventiladores
- Oito extintores de incêndio
- Cerca de R$ 30 mil em tecidos
Além disso, outros mobiliários e estruturas do imóvel também foram levados ou destruídos. Edna Nunes destacou que "lá estavam os móveis para a montagem de outras vinte casas em cidades próximas e em Marechal também", ampliando o impacto negativo do vandalismo.
Repúdio e compromisso com os direitos humanos
Em resposta ao ocorrido, o Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná emitiu uma nota oficial manifestando seu veemente repúdio aos atos de vandalismo. O conselho reafirmou seu compromisso inabalável com a defesa dos direitos humanos, da dignidade e das políticas de acolhimento a migrantes e refugiados, enfatizando a importância de projetos sociais como esse para a integração e o bem-estar dessas populações vulneráveis.
Esse incidente não apenas causa prejuízos materiais consideráveis, mas também representa um golpe direto contra a solidariedade e a inclusão social, afetando diretamente dezenas de famílias que dependiam desse espaço para recomeçar suas vidas com segurança e dignidade no Brasil.