Policial Militar preso por estupro de vulnerável em Realengo: abusos desde os 8 anos
Um 1º sargento da Polícia Militar foi preso na quarta-feira passada, dia 21, acusado de estupro de vulnerável em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso, que chocou a comunidade, começou a ser investigado em dezembro, quando a adolescente, hoje com 15 anos, revelou à mãe que sofria abusos sexuais pelo padrasto desde os 8 anos de idade.
Detalhes do crime e prisão do acusado
O homem, de 49 anos – cuja identidade será mantida em sigilo para preservar a vítima – está detido na Unidade Prisional da Corporação, localizada em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A prisão foi efetuada por agentes da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e da 33ª DP (Realengo), após uma investigação minuciosa.
De acordo com o depoimento da adolescente, os abusos eram cometidos em momentos em que o policial estava armado ou com armamento próximo, sobre uma mesa ou cama. Os primeiros abusos teriam ocorrido quando a menina tinha apenas 8 anos, e só cessaram com a denúncia, sete anos depois, conforme relatado pela vítima.
Avaliação psicológica e medidas protetivas
O depoimento da jovem foi cuidadosamente avaliado por uma equipe psicológica da polícia e do Ministério Público antes do pedido de prisão ser formalizado. Além da prisão preventiva, a Justiça também deferiu medidas protetivas em favor da adolescente, visando garantir sua segurança e bem-estar.
As vítimas relataram ter sofrido ameaças antes da prisão do acusado. Em provas anexadas ao processo, incluindo prints de conversas por aplicativo de mensagem, o número atribuído ao acusado enviou mensagens perturbadoras. Em uma delas, ele afirma: “Apaga essa mensagem e para de falar dos meus carinhos, eu só queria que você entendesse como é ser mulher de verdade.”
Ameaças e intimidação da vítima
O acusado ainda emendou em uma ameaça direta, culpando a vítima: “Se não pode acontecer algo ruim comigo e automaticamente vai acontecer com a sua mãe e seu irmão. Lembra do tio, pensa com carinho.” Nas mensagens, ele pede que a jovem apague as conversas e não fale mais nada para ninguém, mesmo sob pressão.
Em provas adicionais fornecidas pela ex-esposa, que se separou após descobrir os abusos sofridos pela filha, o acusado também ameaçou a mulher e a adolescente. Frases como “Não vai sobrar nada de você”, “tudo vai se resolver de forma rápida” e “o Rio é bem perigoso e eu conheço muita gente” foram enviadas, com ele ressaltando sua condição de policial.
Posicionamento das autoridades e defesa
Em nota oficial, a Polícia Militar informou que o acusado será submetido a um processo administrativo disciplinar, que avaliará sua permanência ou não nos quadros da corporação. O comando da Corporação reiterou que não compactua com desvios de conduta ou crimes praticados por seus integrantes, prometendo punir com rigor os envolvidos quando os fatos forem constatados, respeitando o devido processo legal.
A defesa da vítima afirmou que já tomou as “providências judiciais” necessárias e, devido ao segredo de Justiça e às ameaças do réu, optou por não divulgar maiores detalhes. O g1 tenta contato com a defesa do policial militar para obter mais informações sobre o caso.