Mulher é resgatada após 60 dias de cárcere privado em pensionato de Londrina
Mulher resgatada de cárcere privado em pensionato de Londrina

Mulher é resgatada após 60 dias de cárcere privado em pensionato de Londrina

Uma mulher de 35 anos foi resgatada pela Polícia Militar do Paraná (PM-PR) após passar aproximadamente 60 dias em situação de cárcere privado em um pensionato localizado na cidade de Londrina, no norte do estado. O resgate ocorreu na tarde de quinta-feira, 29 de agosto, quando a vítima conseguiu pedir ajuda à direção do estabelecimento, que permitiu que ela acionasse as autoridades policiais.

Indícios de múltiplas formas de violência

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Militar, foram constatados indícios claros de violência física, psicológica, patrimonial e sexual durante a investigação preliminar. Imagens registradas no interior do pensionato capturaram o momento tenso em que a vítima e o agressor discutiam, pouco antes dela conseguir solicitar auxílio.

O homem, identificado como tendo 32 anos, tentou fugir do local, mas foi localizado e preso pelos policiais durante a madrugada. Ele responderá pelos crimes de cárcere privado e lesão corporal, com o caso sendo encaminhado para a Delegacia da Mulher (DDM) de Londrina para investigações mais aprofundadas.

Detalhes do caso e relatos da vítima

A vítima, que é natural do estado de São Paulo, viajou até Londrina para acompanhar o parceiro. O casal se hospedou em um pensionato situado na rua Maranhão, na região central da cidade. No local, o homem passou a manter a companheira trancada dentro do quarto, levando consigo a chave sempre que saía para trabalhar durante a noite.

Em seu depoimento à polícia, a mulher relatou ter sido agredida com socos e tapas, além de ter tido os cabelos cortados pelo agressor. Ela também apresentava queimaduras de cigarro espalhadas pelo corpo e afirmou ter sofrido abusos sexuais durante o período de cativeiro.

Condições de privação e controle extremo

Conforme o tenente-coronel Ricardo Eguedis, comandante da PM em Londrina, a vítima estava sem se alimentar há dois dias no momento do resgate. Anteriormente, suas refeições eram rigorosamente controladas pelo companheiro. Banhos e o uso do celular só eram permitidos sob supervisão direta do agressor, evidenciando um quadro de dominação total.

"Não havia nenhum respeito à vítima, que acabou ficando à mercê desse homem por condições de dependência emocional, ameaça e violência. Por isso que a gente sempre frisa. Se você conhece alguém, sabe de alguém que está sofrendo qualquer tipo de abuso emocional, sexual, financeiro, por favor, denuncie e não permita que isso aconteça", declarou o comandante.

Atendimento e encaminhamento da vítima

A Patrulha Maria da Penha conduziu a mulher para atendimento médico imediato. Posteriormente, ela foi acolhida pelo Centro de Atendimento de Referência à Mulher (CAM) de Londrina, onde recebeu suporte psicosspecializado. Os nomes da vítima e do agressor não foram divulgados pelas autoridades, preservando a identidade dos envolvidos.

Após o período de acolhimento, a vítima deverá ser encaminhada de volta para sua cidade de origem, onde poderá contar com o apoio de sua rede familiar e de serviços locais de assistência.