Mulher envia áudio a amigo uma hora antes de ser assassinada pelo ex no Rio Grande do Sul
A Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) anunciou que vai analisar uma possível falha no processo de concessão de medida protetiva de urgência (MPU) no caso de Marlei Fátima Froelick, de 53 anos. A vítima foi morta a tiros nesta quinta-feira (29), em Novo Barreiro, no Norte do estado, pelo ex-companheiro, um homem de 57 anos.
Investigação da Corregedoria pode levar mais de 140 dias
O Tribunal informou, em nota oficial, que o prazo para essa apuração é de 140 dias, embora possa se estender um pouco mais, conforme a complexidade do procedimento. A nota ainda detalha: São verificados o sistema eproc e todos os andamentos do processo para identificar se ocorreu alguma irregularidade. Caso seja constatada, o Juiz é notificado para se manifestar e, após essa manifestação, a situação é analisada. Se forem concluídos indícios de irregularidade, é convocada a Comissão de apuração de fato que violaria um dever da magistratura (CPPAD).
Medida protetiva foi deferida um dia antes do crime, mas agressor não foi intimado
Marlei solicitou a medida protetiva em 12 de janeiro, após registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra o ex-companheiro. Inicialmente, o Poder Judiciário negou a medida de urgência, mas o Ministério Público apresentou recurso. Na quarta-feira (28), dia anterior ao crime, a medida foi finalmente deferida, porém o agressor não chegou a ser intimado.
Vítima enviou áudio preocupante a amigo pouco antes do assassinato
O aposentado Vilmar Zwirtes, que trabalhou com a família até dois anos atrás, revelou que recebeu um áudio da vítima na manhã de quinta-feira (29). No dia anterior, os dois haviam se encontrado e tomado chimarrão juntos. Segundo ele, Marlei relatou no áudio que havia acontecido uma coisa e que explicaria melhor quando pudesse ligar. Ela pediu que o amigo ajudasse seu pai a cuidar dos animais – porcos, cachorros e galinhas – porque estava saindo da propriedade. Vilmar afirmou que Marlei não mencionou sentir-se ameaçada durante o último encontro.
Pai da vítima presenciou o crime e também foi alvo de disparos
O pai da vítima, Abílio Frolick, foi até a propriedade após receber uma ligação da filha na manhã do crime. De acordo com seu relato, Marlei disse que havia visto, pelas câmeras de segurança, o ex-companheiro circulando pelo local e que queria sair imediatamente. Abílio e uma tia de Marlei foram até a propriedade para buscá-la. O pai relatou que saiu com o carro à frente, enquanto a filha vinha logo atrás. Ao descer para fechar uma porteira, Marlei foi atacada. Abílio também foi alvo de disparos, segundo seu depoimento.
Detalhes do crime em Novo Barreiro
Segundo a Polícia Civil, Marlei estava com familiares e foi surpreendida ao descer do veículo para abrir a porteira de sua propriedade, na localidade de Linha Jogareta. O agressor estava escondido em uma mata próxima e efetuou o disparo de arma de fogo que tirou a vida da vítima.
Este é o 11º caso de feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026
O crime marca o 11º caso de feminicídio registrado no estado neste ano, levantando novamente questões sobre a eficácia das medidas de proteção e a resposta do sistema judiciário em casos de violência doméstica. A tragédia ocorre em um contexto de alerta para a segurança de mulheres em situações de risco, com a comunidade local e autoridades em choque com mais uma vida perdida para a violência.