MP pede arquivamento de caso de violência doméstica contra vereador de Campinas
O Ministério Público (MP) solicitou o arquivamento do processo de violência doméstica contra o vereador Otto Alejandro (PL), de Campinas, no interior de São Paulo. A decisão tem como base principal a manifestação da namorada do parlamentar, que após denunciar ter sofrido ofensas verbais e ameaça de morte, se retratou formalmente dos fatos e afirmou que não desejava representar contra o político.
Retratação da vítima fundamenta pedido de arquivamento
Segundo o advogado Ralph Tórtima Filho, que representou o vereador Otto Alejandro, "a vítima se retratou relativamente à acusação inicial, reconhecendo expressamente que ele não a agrediu". A promotora Simone Rodrigues Horta Gomes destacou em seu parecer que, diante das circunstâncias, "é impossível o prosseguimento do feito e o exercício responsável de ação penal contra o averiguado".
O pedido de arquivamento foi acolhido pela Justiça no dia 7 de janeiro de 2026, conforme documento acessado pelo g1 nesta quarta-feira, 28 de janeiro. A denúncia de violência doméstica havia sido um dos elementos que levaram à abertura de uma Comissão Processante por quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Campinas.
Comissão parlamentar ainda deve analisar o caso
Em dezembro de 2025, dois dos três vereadores que compõem a comissão votaram pelo fim da investigação. No entanto, devido ao recesso parlamentar, o pedido de arquivamento ainda não foi analisado por todos os membros da Casa. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, o assunto deve ser pautado com a retomada dos trabalhos no Plenário a partir de segunda-feira, 2 de fevereiro.
Os 33 vereadores de Campinas vão discutir e votar o pedido de arquivamento, que será aprovado se obtiver maioria simples, ou seja, pelo menos a metade mais um dos parlamentares. Caso o pedido seja reprovado, a apuração interna continuará em andamento.
Outras investigações contra o vereador foram encerradas
Além do caso de violência doméstica, Otto Alejandro era alvo de pelo menos outras duas investigações pela Polícia Civil por abuso de autoridade, ameaça, injúria e dano. Em ambos os processos, a Justiça declarou extinta a punibilidade do parlamentar.
Em um dos casos, registrado em março de 2025, o vereador foi filmado ameaçando guardas municipais em um estabelecimento comercial de Campinas. No vídeo, ele afirma: "Vocês vão perder o emprego (...), vai pra fora". Na decisão de 21 de janeiro de 2026, o juiz da Vara do Juizado Especial Criminal declarou extinta a punibilidade com fundamento no artigo 107 do Código Penal, referente à decadência.
A Secretaria de Segurança informou, em nota, que "não tomou ciência da manifestação" judicial quando foi procurada para comentar o caso. Em outra ocorrência, registrada em 13 de julho de 2025, Otto Alejandro foi acusado de quebrar o vídeo traseiro de um ônibus e ameaçar o motorista de morte após uma confusão no centro da cidade. Nesse processo, a promotoria também destacou que a vítima não desejava representar contra o parlamentar, e a Justiça igualmente declarou extinta a punibilidade.