Menina de 2 anos deixa UTI após incêndio criminoso em Poços de Caldas; mãe segue em estado grave
A menina de apenas 2 anos, vítima de um incêndio criminoso ocorrido em Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva e foi transferida para um quarto na pediatria da Santa Casa da cidade. A mãe da criança, uma mulher de 31 anos, continua internada na UTI em estado considerado grave, conforme informações divulgadas pela instituição hospitalar.
Evolução do quadro clínico das vítimas
De acordo com a coordenadora de comunicação do hospital, Cláudia Rocha, ambas as pacientes estão recebendo assistência integral de uma equipe multidisciplinar. "Mãe e filha continuam sendo assistidas por toda a nossa equipe multidisciplinar. A mãe ainda permanece na UTI, mas evoluindo bem. A filha teve alta da UTI, está na pediatria, e vem sendo acompanhada", afirmou a profissional.
Cláudia Rocha ressaltou ainda que o tratamento para queimaduras extensas é um processo longo e demorado, mas que apresenta evolução positiva. "Como todo grande queimado, é um processo longo, um tratamento demorado, mas que vem tendo boa evolução e a nossa equipe, especialmente da cirurgia plástica, vem acompanhando", completou a coordenadora.
Detalhes do crime ocorrido em dezembro
O caso violento aconteceu no dia 26 de dezembro, quando o companheiro e pai das vítimas, após consumir bebida alcoólica e discutir com a esposa, ateou fogo na residência do casal. Conforme o registro policial, a mulher se trancou no banheiro na tentativa de fugir das agressões, momento em que o homem utilizou solvente para incendiar o sofá da sala.
As chamas se alastraram rapidamente por toda a casa. A mulher conseguiu escapar com aproximadamente 15% do corpo queimado, mas a criança de 2 anos ficou presa no interior do imóvel em chamas.
Ação heroica do policial militar
A menina foi resgatada pelo sargento Tardioli, da Polícia Militar, que atendeu a uma ocorrência de violência doméstica e se deparou com a casa em chamas. "No primeiro momento as labaredas estavam muito altas, a fumaça muito preta, pelo tiner, então, a gente não conseguia ficar próximo da casa", relatou o policial.
Com a ajuda fundamental de vizinhos que arrombaram uma janela e começaram a jogar água para controlar as chamas, o sargento conseguiu adentrar a residência. "Foi nessa oportunidade que vi a necessidade de entrar na casa", explicou Tardioli.
O militar entrou rastejando devido à intensa fumaça e falta de visibilidade. "Não via nada. Aí eu fui só tateando o chão. No momento eu cheguei a encostar na mesa e imaginei que estava perto, pelo relato da mãe", descreveu o herói que localizou a criança na cozinha e conseguiu retirá-la com vida do local.
Consequências e investigações
A menina sofreu queimaduras em 25% do corpo e precisou passar por manobras de reanimação após o resgate. Já o autor do crime, que também apresentou queimaduras leves, resistiu à prisão mas foi contido e encaminhado à delegacia.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio, um crime que tem mobilizado autoridades e a comunidade local. A Santa Casa de Poços de Caldas, que assumiu recentemente de forma emergencial a gestão de serviços médicos na cidade, continua prestando todo o suporte necessário às vítimas desta tragédia familiar.