Feminicídios em São Paulo batem recorde histórico em 2025 com 266 casos
Feminicídios em SP batem recorde em 2025 com 266 casos

Feminicídios em São Paulo atingem recorde histórico em 2025 com 266 casos

O estado de São Paulo registrou o maior número de feminicídios em um ano desde o início da série histórica, em 2018. Em 2025, foram contabilizadas 266 ocorrências, o que representa uma média de uma mulher assassinada a cada 33 horas. Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e mostram um aumento de mais de 8% em relação ao ano anterior, quando 246 mulheres foram mortas.

Protestos durante velório de vítima simbolizam indignação social

Manifestantes realizaram um protesto durante o velório do corpo de Tainara Souza Santos, que faleceu em decorrência dos ferimentos sofridos após ser atropelada e arrastada por cerca de 1 km na Zona Norte de São Paulo. O caso de Tainara se tornou um símbolo da brutalidade da violência de gênero, assim como os de Evelyn de Souza Saraiva, baleada seis vezes no trabalho, e Camila Aparecida Montoro Cruz, vítima de violência doméstica que foi atropelada em plena luz do dia.

Evolução dos casos de feminicídio no estado de São Paulo

A escalada da violência contra as mulheres pode ser observada na série histórica dos últimos anos. Confira os números anuais de feminicídios registrados no estado:

  • 2018: 136 casos
  • 2019: 184 casos
  • 2020: 179 casos
  • 2021: 140 casos
  • 2022: 195 casos
  • 2023: 221 casos
  • 2024: 246 casos
  • 2025: 266 casos

Capital paulista também bate recorde com aumento de mais de 22%

A cidade de São Paulo acompanhou a tendência estadual e registrou seu próprio recorde histórico de feminicídios. Em 2025, foram contabilizadas 60 mortes, contra 49 no ano anterior, representando um aumento superior a 22%. A evolução na capital mostra uma preocupante trajetória de crescimento:

  1. 2018: 29 casos
  2. 2019: 44 casos
  3. 2020: 40 casos
  4. 2021: 33 casos
  5. 2022: 41 casos
  6. 2023: 38 casos
  7. 2024: 49 casos
  8. 2025: 60 casos

Especialistas apontam desafios estruturais no combate à violência

A violência contra a mulher é uma questão complexa e estrutural, profundamente enraizada em uma sociedade patriarcal e machista. Segundo a promotora Fabíola Sucasas, da Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os pilares do combate efetivo passam pelo foco no agressor, pela proteção concreta às mulheres, pela educação de longo prazo e pela garantia de orçamento público adequado.

A delegada Eugênia Villa, criadora da primeira delegacia especializada em feminicídios do Brasil, destacou que "o freio inibidor para um potencial feminicida é a sua imediata prisão conjugada com a inserção em programas que o auxiliem a refletir sobre masculinidades e relações de poder". Especialistas alertam para as falhas do Estado, incluindo a falta de políticas públicas consistentes, a ausência de delegacias da mulher em todos os territórios, a insuficiência no monitoramento de medidas protetivas e a carência de grupos reflexivos para homens.

Canais de ajuda e apoio para mulheres em situação de violência

É fundamental que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que existem canais oficiais e gratuitos para buscar ajuda, orientação e proteção. O atendimento pode ser realizado de forma sigilosa, mesmo quando a vítima ainda não deseja registrar boletim de ocorrência. Confira os principais recursos disponíveis:

  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher: funciona 24 horas por dia, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.
  • Ligue 190 – Polícia Militar: deve ser acionado em situações de emergência ou quando a violência estiver ocorrendo no momento.
  • Delegacia da Mulher (DDM): atendimento especializado para registro de boletim de ocorrência e solicitação de medidas protetivas. Onde não houver DDM, qualquer delegacia é obrigada a atender denúncias.
  • Delegacia Eletrônica: permite registrar ocorrência online em casos de ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva.
  • Defensoria Pública: oferece assistência jurídica gratuita para ações como divórcio, guarda de filhos e pedidos de proteção.
  • Centros de Referência da Mulher (CRAM): proporcionam acolhimento psicológico, social e orientação jurídica, com acompanhamento contínuo.

A SSP foi procurada para comentar os dados, mas não retornou até a última atualização desta reportagem. A situação exige uma abordagem multifacetada que combine punição, educação e prevenção para enfrentar essa trágica realidade.