Feminicídio em Campinas: Mulher de 48 anos é vítima após três décadas de violência
A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, registrou mais um trágico caso de feminicídio nesta segunda-feira (2). Rita de Cássia da Silva Coura, de 48 anos, foi encontrada morta dentro de sua residência no bairro Jardim Campos Elíseos, após supostamente sofrer agressões do companheiro com quem mantinha um relacionamento há cerca de 30 anos.
Detalhes do crime e prisão do suspeito
O corpo da vítima foi localizado no sofá da casa durante uma visita de rotina da Guarda Municipal a vítimas de violência doméstica. Vizinhos alertaram as autoridades sobre um possível óbito, e ao chegarem ao local, os guardas encontraram Rita já sem vida. O companheiro da mulher, um homem de 51 anos, estava presente e foi preso em flagrante. O caso está sendo investigado como feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de uma mulher em contexto de violência de gênero.
Segundo relatos de familiares e vizinhos, a vítima vivia uma rotina intensa de agressões físicas e psicológicas. Tayla Nogueira, sobrinha de Rita, destacou que a tia mantinha uma evidente dependência emocional em relação ao suspeito, com quem se relacionava desde a adolescência. Era muito nítido a dependência emocional dela. Desde a adolescência eles tinham um relacionamento. Ela teve dois filhos com ele, ele já foi preso algumas vezes e ela sempre fechava com ele, afirmou Tayla.
Histórico de violência e tentativas de ajuda
Testemunhas relatam que o companheiro de Rita teria ficado mais violento nos últimos anos. A diarista Arlinda Guilherme da Silva contou à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, que a vítima sofreu agressões no domingo (1º), um dia antes de ser encontrada morta. Ele bateu nela ontem. Tem até sangue no sofá da garagem. A vizinha ajudou: subiu com ela, deu banho, colocou a roupa nela, descreveu Arlinda.
O caso revela um ciclo complexo de violência e dependência:
- Rita e o companheiro tinham histórico de dependência química e de álcool, fatores que, segundo relatos, os mantinham unidos apesar dos episódios violentos.
- A vítima chegou a ser assistida em uma casa de apoio para mulheres em situação de violência doméstica.
- Ela solicitou medidas protetivas contra o marido em ocasiões anteriores, mas acabava retirando as queixas.
- Um dos filhos do casal já estava sob os cuidados do Conselho Tutelar, evidenciando a gravidade da situação familiar.
Contexto emocional e social da vítima
Apesar do sofrimento, Rita era descrita como uma pessoa alegre e acolhedora. Tayla Nogueira, que viu a tia pela última vez no Natal de 2026, afirmou: Ela é uma pessoa com muito sofrimento, mas sempre transmitia alegria para as pessoas. Não tem uma pessoa daquela favela que não gostava dela. Uma mulher que não fazia maldade para ninguém e sempre as portas de sua casa estava aberta para acolher quem precisava de abrigo.
O suspeito confessou o uso de entorpecentes no dia anterior ao crime, mas negou detalhes adicionais às autoridades. A perícia foi acionada para analisar os indícios de agressão no local. A Secretaria de Segurança Pública não forneceu informações sobre o paradeiro do outro filho do casal, mantendo o caso sob investigação.
Este feminicídio em Campinas reforça a urgência de debates sobre violência doméstica no Brasil, destacando a necessidade de políticas públicas eficazes e redes de apoio para mulheres em situação de risco. A tragédia ocorre em um contexto onde casos semelhantes têm sido frequentes, como o recente assassinato a marretadas em Lindoia, também na região, evidenciando um padrão alarmante de violência contra a mulher no interior paulista.