Brasileiro condenado à prisão perpétua na Irlanda por assassinato da ex-namorada
O brasileiro Miller Pacheco, natural de Formiga, em Minas Gerais, recebeu sentença de prisão perpétua na Irlanda pelo assassinato de sua ex-namorada, Bruna Fonseca, também brasileira. O crime ocorreu no primeiro dia de 2023, mas a condenação definitiva só foi anunciada em janeiro de 2026, após três anos de investigações e processo judicial na cidade de Cork.
Cronologia do crime e do julgamento
O caso teve início durante as celebrações de réveillon de 2022, quando Bruna Fonseca, então com 28 anos, e Miller Pacheco estavam presentes na mesma festa. Na madrugada de 1º de janeiro de 2023, a jovem foi ao apartamento do ex-companheiro, localizado na Liberty Street, em Cork, para uma videochamada conjunta com o cachorro que haviam tido quando moravam juntos no Brasil.
Por volta das 4h15, moradores do prédio ouviram gritos de uma mulher vindo do apartamento de Miller. Horas mais tarde, o próprio Miller confessou o crime a um amigo através de uma chamada de vídeo, chegando a mostrar o corpo de Bruna. Uma prima da vítima foi alertada e se dirigiu ao local.
Às 6h30, a polícia irlandesa foi acionada pela prima após Bruna ser encontrada desacordada. Paramédicos tentaram reanimá-la, mas ela foi declarada morta ainda no apartamento. Inicialmente, Miller negou envolvimento, mas posteriormente admitiu ter sufocado a ex-namorada. A perícia confirmou que Bruna sofreu espancamento e estrangulamento.
Repatriação e sepultamento no Brasil
Em 9 de janeiro de 2023, o corpo de Bruna foi liberado pelas autoridades irlandesas para repatriação ao Brasil. Seis dias depois, os restos mortais chegaram a Formiga, cidade natal da vítima, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O sepultamento ocorreu em 16 de janeiro no Cemitério do Santíssimo, na mesma cidade.
Julgamento e condenação definitiva
O julgamento de Miller Pacheco começou apenas em 12 de janeiro de 2026, três anos após o crime, no Tribunal Criminal Central de Cork. O réu estava preso desde a ocorrência do assassinato. O processo, que tinha previsão de durar até duas semanas, culminou com a decisão do júri, composto por sete mulheres e cinco homens.
Em 22 de janeiro de 2026, Miller, então com 32 anos, foi considerado culpado por unanimidade. No dia seguinte, a juíza Siobhan Lankford anunciou a pena de prisão perpétua, obrigatória para homicídio na Irlanda. A magistrada descreveu Bruna como uma jovem excepcional e um ser humano completo, afirmando que o crime ocorreu porque Miller não aceitou o fim do relacionamento.
Reações da família e do réu
A irmã de Bruna, Izabel Fonseca, declarou ao g1 que a família sente certa tranquilidade com a condenação. Aqui a Justiça é muito mais rigorosa e temos certeza de que a pena, prisão perpétua, será cumprida. Isso nos tranquiliza muito, disse ela. O advogado de defesa, Ray Boland, informou que Miller não irá recorrer da sentença e que expressou arrependimento pela devastacão causada à família Fonseca.
Marcela Fonseca, prima de Bruna, destacou a gravidade do crime: A vida foi tirada porque uma mulher não teve o direito de seguir em frente. Durante o julgamento, foi revelado que Bruna havia deixado claro ao ex-companheiro que não era um troféu e que tinha o direito de conduzir a própria vida, conforme registrado em uma conversa gravada, cujo conteúdo não foi divulgado.
Histórico do relacionamento
Bruna e Miller mantiveram um relacionamento de aproximadamente cinco anos no Brasil. Com formação superior em Biblioteconomia pela Universidade de Formiga, Bruna se mudou para a Irlanda em setembro de 2022, acompanhada da sobrinha, em busca de melhores oportunidades. Miller chegou ao país dois meses depois, em novembro.
Poucos dias após a chegada dele a Cork, o casal se separou definitivamente. Eles já haviam passado por um período de separação meses antes, ainda no Brasil, conforme relatou a irmã de Bruna. A família descreveu a vítima como uma pessoa discreta, carismática, religiosa e batalhadora, que sempre demonstrou determinação em recomeçar mesmo diante das adversidades.
O último contato de Bruna com a família em Formiga ocorreu nas primeiras horas de 2023, através de uma chamada de vídeo onde ela aparentava estar bem, durante uma festa. A tragédia expõe um relacionamento marcado por controle e a violência que pode emergir quando uma mulher busca autonomia e o direito de seguir sua vida livremente.