Três anos da morte de Sophia: crime que chocou MS expõe falhas e obra parada
Três anos da morte de Sophia: crime chocante e obra parada em MS

Três anos da morte de Sophia: crime que chocou MS e obra parada da Casa da Criança

Nesta segunda-feira, 26 de janeiro, completam-se três anos da morte trágica de Sophia Ocampo, uma menina de apenas dois anos e sete meses que foi assassinada pela própria mãe e pelo padrasto em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O crime, que causou forte comoção em todo o estado, revelou falhas graves na rede de proteção à infância e expôs a necessidade urgente de medidas mais eficazes para salvaguardar crianças vulneráveis.

Falhas na proteção e atendimentos repetidos

Sophia foi atendida mais de 30 vezes na mesma unidade de saúde, sempre apresentando sinais evidentes de violência. No entanto, apesar dos registros frequentes, a rede de proteção não conseguiu intervir a tempo para evitar o desfecho fatal. Em 26 de janeiro de 2023, a menina chegou ao local já sem vida, deixando uma lacuna profunda na comunidade e levantando questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de vigilância.

Projeto da Casa da Criança: promessa não cumprida

Em março de 2023, como resposta ao caso, o governo estadual anunciou a criação da Casa da Criança, uma iniciativa planejada para funcionar como uma Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) com atendimento ininterrupto 24 horas por dia. A unidade seria construída em um terreno de 5,9 mil metros quadrados, localizado em frente à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, com uma área construída estimada em 1.776 metros quadrados.

Inspirada na Casa da Mulher Brasileira, a Casa da Criança tem o objetivo de reunir diversas instituições em um só espaço, incluindo a DPCA, Conselho Tutelar, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL). O projeto, que inicialmente tinha um orçamento de R$ 7 milhões, agora está estimado em R$ 10 milhões, com a entrega prevista para 2026.

Obra parada e burocracia

Três anos após o anúncio, o terreno destinado à construção permanece vazio, sem previsão clara para o início das obras. Em agosto de 2025, o secretário de Justiça e Segurança Pública, Carlos Videira, afirmou que a obra seria concluída em 2026, mas até o momento não há datas definidas para o começo da construção.

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) atribuiu os prazos à Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog), que, por sua vez, informou que o projeto foi encaminhado à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) para análise técnica. Em nota, a Sejusp explicou: "O projeto da Casa da Criança e do Adolescente foi elaborado pela Sejusp e encaminhado à Agesul, onde se encontra em fase de análise técnica. Tão logo seja concluída essa etapa, o mesmo retorna à pasta da segurança para ajustes técnicos, se necessários, ou elaboração da planilha orçamentária."

Condenação dos responsáveis

A mãe de Sophia, Stephanie de Jesus, e o padrasto, Christian Campoçano Leithem, foram condenados pela justiça. Christian recebeu 32 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e estupro de vulnerável, enquanto Stephanie foi condenada a 20 anos por homicídio qualificado e homicídio doloso por omissão. O júri aceitou todas as teses apresentadas pelo Ministério Público e pela acusação, encerrando um capítulo judicial, mas deixando marcas profundas na sociedade.

Este caso continua a servir como um alerta para a importância de ações rápidas e coordenadas na proteção de crianças, enquanto a comunidade aguarda a concretização das promessas feitas há três anos.