Menino de 8 anos retorna ao quilombo no Maranhão com nova casa; primos seguem desaparecidos
Menino de 8 anos volta ao quilombo no MA; primos desaparecidos

Menino de 8 anos retorna ao quilombo no Maranhão após desaparecimento

O menino de 8 anos, primo de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e de Allan Michael, de 4, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro, retornou neste sábado (24) ao quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. A criança, que vive com a família na comunidade, havia ficado três dias desaparecido em uma área de mata e foi encontrada no dia 7 de janeiro.

Nova casa e medidas de proteção

Além do retorno à comunidade, o menino e a família ganharam uma nova casa no povoado. Antes, eles viviam em uma casa de taipa, feita de barro e madeira. O novo imóvel, que estava abandonado, passou por reforma e foi entregue com mobília. Por motivos de segurança, não foram feitas imagens do menino e nem da nova residência.

Uma rede de proteção foi criada para manter o menino afastado de qualquer tipo de assédio ou exposição. Ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo. O retorno ao quilombo contou com a presença do secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, e do prefeito de Bacabal, Roberto Costa.

Depoimento ajuda nas buscas pelos primos

Após receber alta hospitalar na última terça-feira (20), após 14 dias internado, o menino recebeu autorização da Justiça do Maranhão para participar das buscas pelos primos. Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, ele indicou os últimos caminhos que percorreu com os primos até o momento em que foi encontrado por carroceiros.

Pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. Segundo ele, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata. A partir desse ponto, o grupo teria se perdido.

O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar. Em depoimento, contou que esteve com os primos em uma localidade chamada de "casa caída", um abrigo simples feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha, que estava tão destruído que não dava para permanecer dentro.

Buscas reduzidas e investigação intensificada

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael completa 21 dias neste sábado (24) e levou a uma mudança na estratégia das buscas em Bacabal. Após varreduras minuciosas em diversas áreas, sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam. "O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade", afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.

Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago. "Infelizmente, nós não encontramos as crianças. Vamos redirecionar os trabalhos, dando foco às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro", acrescentou o secretário.

Medidas para a comunidade

Durante a visita, a Prefeitura de Bacabal anunciou que, a partir de segunda-feira (26), adotará medidas para melhorar a rotina da comunidade, incluindo:

  • Inclusão de atividades esportivas voltadas a crianças e adolescentes
  • Reforma da sede da Associação dos Moradores

A informação sobre a "casa caída" foi confirmada pela investigação e pelo rastreamento feito com cães farejadores. "Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu", afirma Mauricio Martins.