Quatro suspeitos de tentativa de sequestro de crianças em Maracanaú têm prisão preventiva decretada
Suspeitos de sequestro de crianças em Maracanaú têm prisão preventiva

Quatro suspeitos de tentativa de sequestro de crianças em Maracanaú têm prisão preventiva decretada

Um caso que gerou alarme na Região Metropolitana de Fortaleza teve um desdobramento judicial nesta quarta-feira (28). Quatro pessoas, detidas após denúncias de tentativa de sequestro de crianças em Maracanaú, tiveram suas prisões em flagrante convertidas em prisões preventivas. A decisão foi tomada pelo Juízo do 7º Núcleo de Custódia e das Garantias, com sede no município, conforme informou o Tribunal de Justiça do Ceará. O processo segue em segredo de justiça, o que limita o acesso público a detalhes específicos da investigação.

Detalhes dos suspeitos e acusações

Os quatro indivíduos mantidos sob custódia são três mulheres, com idades de 18, 26 e 53 anos, e um homem de 27 anos. Este último já possui antecedentes criminais relacionados a infrações de trânsito. Todos foram autuados pela polícia sob a acusação de associação criminosa armada, um crime grave que envolve a organização de grupo para atividades ilícitas com uso de armas. Além disso, as três mulheres enfrentam a imputação de tentativa de sequestro, reforçando a gravidade das alegações.

Inicialmente, oito pessoas haviam sido capturadas pelas autoridades policiais, mas após a audiência de custódia, apenas essas quatro tiveram a prisão mantida. O caso remonta a denúncias feitas por familiares, que relataram uma tentativa de levar à força duas crianças pequenas em um bairro residencial de Maracanaú.

O incidente e a investigação policial

De acordo com os relatos das famílias envolvidas, na noite da última segunda-feira (26), um grupo suspeito tentou sequestrar um garoto de 4 anos e uma menina de 3 anos. As crianças estavam brincando na garagem de sua casa, localizada no Bairro Alto da Mangueira, em Maracanaú. Câmeras de segurança instaladas no imóvel registraram parte do ocorrido, mostrando uma mulher que chegou em um carro branco, se aproximou do menino e perguntou sobre o paradeiro de sua mãe.

Testemunhas afirmam que, após esse primeiro contato, a mulher saiu do local e retornou minutos depois, momento em que teria tentado efetivamente levar as crianças. Familiares acionaram a Polícia Militar, que rapidamente iniciou buscas na região. Os agentes conseguiram abordar o veículo suspeito em uma via de Maracanaú, capturando duas mulheres e um homem que estavam no carro.

Em uma ação subsequente, a polícia localizou uma chácara na zona rural de Pacatuba, município vizinho, que era utilizada pelo grupo. No local, foram apreendidos itens significativos: armas, munições e a quantia de R$ 85 mil em espécie. Um casal foi preso nessa operação, elevando o total inicial de detidos para oito pessoas, todas encaminhadas à Delegacia Metropolitana de Maracanaú para interrogatórios e procedimentos legais.

Estratégia suspeita e defesa dos acusados

Investigadores apontam que o grupo suspeito adotava uma tática enganosa para se aproximar de potenciais vítimas. Eles circulavam em um carro branco e, em algumas ocasiões, ofereciam panelas e colchas de cama para venda. Essa abordagem servia como pretexto para entrar em contato com pessoas que tinham filhos, facilitando supostas tentativas de sequestro. A prática levantou preocupações sobre a segurança infantil na comunidade.

Por outro lado, a defesa dos suspeitos contestou veementemente as acusações. Em nota divulgada, o advogado Piero Barbacovi, representante do grupo, negou qualquer envolvimento em tentativas de sequestro e criticou a conduta policial. Ele alegou que a entrada na residência foi realizada sem mandado judicial e sem autorização dos moradores, caracterizando-a como uma violação de garantias constitucionais.

Barbacovi também afirmou que o procedimento na delegacia foi irregular, com trocas sucessivas de delegados e restrições indevidas ao acesso da defesa. Segundo ele, o caso estava caminhando para a liberação dos envolvidos quando foi reaberto com base em um depoimento posterior, que teria sido direcionado pela polícia. A defesa aguarda oportunidade para apresentar seus argumentos em instâncias superiores.

Próximos passos no processo legal

Com a decretação da prisão preventiva, os quatro suspeitos permanecerão detidos enquanto a investigação avança. Eles agora são alvo de um inquérito policial, que buscará reunir evidências e testemunhas para esclarecer os fatos. Se a polícia encontrar indícios suficientes de culpa, poderá oferecer o indiciamento ao Ministério Público.

Caberá ao Ministério Público analisar o material e decidir se oferece uma denúncia formal à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, os suspeitos se tornarão réus e enfrentarão um julgamento, onde poderão ser condenados ou inocentados. O g1 Ceará solicitou um posicionamento atualizado da defesa após a manutenção das prisões preventivas e aguarda resposta para possível inclusão em atualizações futuras.

Este caso destaca a importância da vigilância comunitária e da rápida ação policial em crimes contra a infância, além de levantar debates sobre os procedimentos legais e os direitos dos acusados. A população de Maracanaú e região segue atenta aos desdobramentos, esperando por justiça e maior segurança para as crianças.