Piloto preso por agressão a adolescente em Vicente Pires já tinha histórico de violência
O piloto Pedro Turra, de 19 anos, suspeito de espancar um adolescente de 16 anos após uma briga motivada por um chiclete em Vicente Pires, Distrito Federal, já havia sido denunciado anteriormente por agredir outro jovem de 18 anos meses antes. A nova ocorrência, registrada em 28 de junho de 2025, revela um padrão de comportamento violento que culminou com a vítima hospitalizada em estado crítico.
Histórico de agressões anteriores
O g1 obteve com exclusividade o boletim de ocorrência que detalha o primeiro caso envolvendo Pedro Turra. Na denúncia, a vítima afirma ter sido atacada pelo piloto em uma praça de Águas Claras após um desentendimento relacionado à então namorada de Turra. Embora o boletim não especifique o motivo exato da discussão, a vítima relata que, naquela ocasião inicial, não houve violência física.
No entanto, em 28 de junho, a situação escalou drasticamente. A vítima estava sozinha na praça quando Pedro chegou acompanhado de quatro amigos. Após cerca de dez minutos de conversa, o piloto teria dito que "estava tudo certo" entre eles. No momento em que a vítima virou de costas para ir embora, foi surpreendida com um soco nas costelas.
O jovem conta que foi derrubado no chão e imobilizado com um golpe conhecido como "mata-leão". Ele conseguiu evitar o enforcamento, mas "levou diversos socos no rosto". Segundo o depoimento, os amigos de Turra não participaram da agressão, mas só intervieram após aproximadamente cinco minutos, quando o piloto foi contido e a vítima fugiu correndo.
Apesar de ter registrado o caso na Polícia Civil, a família do jovem agredido afirma que nunca mais foi procurada pelos investigadores. A ocorrência obtida pelo g1 não inclui nenhum depoimento prestado por Pedro Turra sobre este incidente anterior.
Agressão grave em Vicente Pires
Pouco menos de sete meses depois, uma nova ocorrência foi registrada contra Pedro Turra. Desta vez, ele passou a ser investigado por agredir um adolescente de 16 anos em Vicente Pires. O jovem agredido levou uma série de golpes, bateu a cabeça em um carro e, horas depois, entrou em coma já no hospital.
Pedro Turra foi preso em flagrante, em sua residência, e é investigado por lesão corporal gravíssima. No sábado, ele foi liberado após pagar uma fiança definida em 15 salários mínimos – R$ 24.315, em valores atuais. A decisão da audiência de custódia cita "relatório médico informando que a vítima encontra-se na UTI em estado muito grave". O adolescente continua em coma e em estado crítico.
Depoimento do piloto e versão dos fatos
O depoimento de Pedro Turra à Polícia Civil, logo após ser preso em flagrante, durou pouco menos de 4 minutos. No vídeo, o empresário narra que estava com amigos em um carro e que só foi ao condomínio em Vicente Pires porque um desses amigos queria encontrar uma ex-namorada no local.
"Eu e meus amigos, a gente tem uma brincadeira de ficar jogando chiclete nos outros. Eu joguei no Luquinhas, a gente ficou rindo, e alguém falou: 'foi quase no Rodrigo'", narrou Turra. Rodrigo, mencionado nessa parte do depoimento, é o adolescente que se envolveu na agressão e foi hospitalizado. O g1 optou por não divulgar os dados dele, por ser um menor de idade.
"E aí, ele [Rodrigo] já falou: 'Se fosse em mim, eu ia quebrar na porrada'. E eu achei que ele estava brincando, porque antes ele estava brincando comigo. A gente estava lá conversando e tudo. Aí, eu desci do carro e falei 'então fala na minha cara'", seguiu Turra.
"Ele falou na minha cara e eu dei uma empurrada nele, porque estava muito perto. Ele veio para dar um soco em mim, aí começou. Nos vídeos, você vê que eu estava tentando apartar, só que ele não parava. Aí, eu tive que... se não, ele não ia parar", narrou no depoimento, justificando suas ações como defesa.
Testemunhas e investigação em andamento
Outros amigos de Pedro Turra que estavam no local também falaram à Polícia Civil como testemunhas. Alguns disseram ter visto o adolescente manuseando um "canivete" minutos antes do início da briga. No entanto, o item não aparece nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia até este sábado.
O g1 questionou a Polícia Civil e a defesa de Pedro Turra sobre o caso, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. As investigações continuam em andamento, com foco nos dois episódios de violência que envolvem o piloto.