Mulher com histórico policial é encontrada morta em Praia Grande, SP
O corpo de Monica Bragaia, uma mulher de 49 anos, foi descoberto sem vida no último domingo (25), próximo a um lixão na cidade de Praia Grande, localizada no litoral de São Paulo. O achado ocorreu na calçada da Avenida dos Trabalhadores, no bairro Sítio do Campo, após uma denúncia anônima que levou uma equipe da Polícia Militar ao local.
Histórico de conflitos e acusações
Conforme apurado, Monica Bragaia possuía um extenso histórico de passagens pela polícia, embora nunca tenha sido condenada criminalmente. Ela foi acusada em diversos boletins de ocorrência por crimes como ameaça, lesão corporal e dano ao patrimônio, com registros que remontam ao ano de 2010.
Os inquéritos abertos contra ela, no entanto, foram arquivados ao longo dos anos, e não há movimentações em seu nome no Sistema de Administração Penitenciária (SAP). O último registro policial envolvendo Monica data de abril de 2025, quando ela fugiu de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ainda em tratamento médico, sem condições de alta.
Vida em situação de rua e dependência química
Em depoimento à polícia, o pai de Monica, um idoso de 80 anos, revelou que a filha era usuária de drogas e vivia em situação de rua há aproximadamente seis anos. Amigos e conhecidos relataram que a dependência química provocou uma transformação profunda em sua aparência e comportamento.
O jornalista Antonio Cassimiro, de 59 anos, que conheceu Monica há cerca de três décadas, descreveu a mudança drástica. "Ela era uma jovem muito vistosa, com um semblante sempre alegre. Uma menina radiante", recordou. Em um reencontro em 2018, ele a encontrou debilitada, com sinais visíveis de abandono e saúde fragilizada.
Comportamento agressivo e incidentes registrados
Os boletins de ocorrência acessados detalham episódios de comportamento agressivo atribuídos a Monica. Em junho de 2013, um comerciante relatou que ela agrediu sua esposa e, no dia seguinte, jogou copos de vidro em direção ao seu carro, além de danificar o toldo de sua marcenaria.
Três meses depois, em setembro do mesmo ano, Monica foi acusada de invadir a casa de um operador de loja e ameaçar a esposa dele, em um estado aparente de desequilíbrio emocional. A Polícia Militar foi acionada e a encaminhou para um hospital, onde recebeu medicação. Outro registro, de outubro de 2014, menciona uma briga com agressões entre Monica e seu pai, resultando em orientações sobre prazos para representação criminal.
Investigação e circunstâncias da morte
No local onde o corpo foi encontrado, não foram identificados sinais evidentes de violência, conforme consta no boletim de ocorrência. Monica não portava documentos no momento, mas sua identidade foi confirmada pelo pai. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito.
A área foi preservada para perícia, e o caso foi registrado como morte suspeita na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. As autoridades seguem investigando as circunstâncias exatas que levaram à morte de Monica Bragaia, considerando seu histórico de saúde e vulnerabilidade social.
Reflexões sobre políticas públicas
A história de Monica Bragaia levanta questões sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas voltadas para a recuperação de usuários de drogas e o apoio a pessoas em situação de rua. Antonio Cassimiro, o jornalista que a conhecia, destacou a importância da atuação do poder público nesses casos.
"As famílias têm um limite. Então, é mais ainda importante a atuação do poder público", afirmou, enfatizando a urgência de iniciativas que possam prevenir tragédias similares e oferecer suporte adequado a indivíduos em condições de vulnerabilidade extrema.