STF pagou 128 diárias para seguranças em resort ligado a irmãos de Toffoli
STF pagou diárias em resort de irmãos de Toffoli

STF gastou R$ 460 mil em diárias para seguranças em resort ligado a irmãos de Toffoli

O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou 128 diárias para seguranças em viagens à região onde fica o resort Tayayá, que já pertenceu a dois irmãos do ministro Dias Toffoli. As despesas, que totalizaram R$ 460 mil, ocorreram entre 2022 e 2025, durante feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário. A revelação foi feita nesta quinta-feira (22) pelo jornal O Globo, em meio a uma investigação sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o magistrado.

PGR arquiva pedido de afastamento de Toffoli do Caso Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar uma representação que pedia o afastamento do ministro Dias Toffoli da investigação do Banco Master. O pedido foi apresentado por deputados do Novo e do PL, que alegavam possível impedimento ou suspeição do ministro. Em sua decisão, Gonet afirmou que não há providências a serem tomadas, pois o caso já está em análise no STF.

No entanto, a PGR ainda analisa um outro pedido de afastamento, feito pelo senador Eduardo Girão, também do partido Novo. A situação ganhou novos contornos com as revelações sobre as diárias pagas pelo Supremo em uma região com ligações familiares do ministro.

Conexões familiares e vínculos com o Banco Master

O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, foi parcialmente propriedade dos irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, por meio da empresa Maridt Participações. Em 2021, eles venderam parte das cotas do resort por mais de R$ 3 milhões para o fundo Arleen, controlado pela Reag, uma administradora de investimentos ligada ao Banco Master.

Segundo o Banco Central, a Reag e o Banco Master montaram um esquema de operações combinadas para circular dinheiro entre fundos previamente organizados. Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que investigava lavagem de dinheiro do PCC. O inquérito foi para o STF por determinação do próprio ministro Toffoli, após pedido dos advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Toffoli e medidas controversas na investigação

Desde que assumiu o caso, Dias Toffoli tomou uma série de medidas que levantaram questionamentos:

  • Decretou sigilo absoluto na investigação
  • Marcou uma acareação entre o dono do Master e um diretor do Banco Central
  • Reclamou da atuação da Polícia Federal
  • Escolheu peritos da corporação para analisar material apreendido

Além disso, em novembro de 2025, o ministro viajou para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.

Respostas dos envolvidos e situação atual do resort

Em nota, José Eugênio Dias Toffoli, administrador da Maridt, declarou que a empresa não integra mais o grupo Tayayá e que todas as participações foram encerradas por meio de operações sucessivas. Ele afirmou que todos os atos e informações financeiras da Maridt estão devidamente declarados à Receita Federal.

Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, disse ao jornal Estado de São Paulo que nunca soube que a casa onde moram há 24 anos foi sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

O fundo Arleen e a família Toffoli permaneceram como sócios do resort de setembro de 2021 até 2025. A família vendeu sua participação em fevereiro, e o fundo Arleen deixou a sociedade em julho do mesmo ano.

A reportagem do O Globo destacou que, em geral, ministros do Supremo viajam acompanhados de segurança, mas as diárias pagas especificamente para a região do resort Tayayá durante períodos de folga do Judiciário chamam a atenção no contexto das investigações sobre o Banco Master.