PF recorre a chaveiro para acessar residência de presidente do Rioprevidência durante operação
A Polícia Federal encontrou as portas fechadas na manhã desta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, ao chegar à residência de Deivis Marcon Antunes, presidente do Rioprevidência, fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio de Janeiro. Os agentes, que cumpriam mandados de busca da Operação Barco de Papel, precisaram acionar um profissional especializado para abrir o imóvel, localizado na zona sul da capital fluminense.
Presidente ausente e viagem programada para os Estados Unidos
Deivis Marcon Antunes não estava presente no local durante a ação policial. Conforme informações apuradas pelo Estadão e confirmadas por VEJA, o dirigente viajou para os Estados Unidos há aproximadamente uma semana. A defesa do presidente do Rioprevidência esclareceu que ele está em período de férias com a família, uma viagem que teria sido planejada desde novembro de 2025. Até o momento, não há uma data definida para o seu retorno ao Brasil.
Durante as buscas realizadas na residência, os policiais federais apreenderam a quantia de R$ 6 mil em espécie. É importante destacar que, nesta fase da investigação, não havia ordens de prisão ou medidas cautelares contra Deivis Marcon Antunes, apenas mandados de busca e apreensão.
Investigação apura aplicações suspeitas de R$ 970 milhões no Banco Master
A Operação Barco de Papel tem como foco principal investigar possíveis irregularidades em investimentos realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, durante a gestão de Deivis Marcon Antunes, que assumiu o comando do fundo em 2023, foram aplicados cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras da instituição bancária.
Os investigadores apontam que essas operações financeiras "expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade". A Polícia Federal está apurando se houve condutas irregulares na aprovação dessas aplicações, com suspeitas de crimes como:
- Associação criminosa
- Corrupção passiva
- Gestão fraudulenta
- Desvio de recursos
- Induzir em erro repartição pública
- Fraude à fiscalização ou ao investidor
- Crimes contra o sistema financeiro nacional
Origem da investigação e posicionamento do Rioprevidência
O inquérito que deu origem à Operação Barco de Papel teve início em novembro, a partir de uma auditoria conduzida pelo Ministério da Previdência Social. A fiscalização identificou um crescimento considerado incomum nos investimentos do Rioprevidência no Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O ministério observou uma mudança significativa no padrão de aplicações, capturada por métricas de risco e avaliação do comportamento de mercado.
A operação foi autorizada pela 6.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Em nota oficial, o Rioprevidência se manifestou sobre o caso, afirmando que todos os investimentos realizados "observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle". A autarquia também declarou que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
A situação coloca em evidência os mecanismos de controle sobre fundos de aposentadoria públicos e a responsabilidade na gestão de recursos que afetam diretamente a vida de milhares de servidores estaduais. A ausência do presidente durante a operação policial e as circunstâncias de sua viagem internacional acrescentam elementos intrigantes a um caso que já envolve valores expressivos e suspeitas de graves irregularidades administrativas.