PF abre inquérito para investigar ataques de influenciadores ao Banco Central no Caso Master
A Polícia Federal deu início a uma nova frente de investigação no Caso Master, focando especificamente nos ataques virtuais direcionados ao Banco Central. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para apurar quem contratou influenciadores que lançaram suspeitas sobre a decisão do BC de liquidar o Banco Master.
Detalhes da operação orquestrada nas redes sociais
Conforme revelado pelo jornal O Globo no início de janeiro, influenciadores relataram ter recebido ofertas para participar do chamado Projeto DV, em referência ao dono do Master, Daniel Vorcaro. Os valores dos contratos chegavam a impressionantes R$ 2 milhões, segundo as denúncias. O NetLab, laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou mais de 80 mil publicações em um período de 30 dias com ataques ao Banco Central.
Nova frente de apuração sob supervisão do STF
Na Polícia Federal, a investigação sobre essa ação coordenada será conduzida em um inquérito específico. As primeiras medidas, incluindo depoimentos e quebra de sigilos, devem ser tomadas nos próximos dias. No Supremo, essa nova frente se juntará ao processo já existente, que permanece sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, garantindo seu controle e supervisão sobre as apurações realizadas pela PF.
Conexões políticas e contratos milionários
Em outra vertente do caso, as conexões políticas de Daniel Vorcaro vêm ganhando destaque. Em 2023, o Banco Master celebrou um contrato de consultoria com o escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski no valor de R$ 250 mil por mês, totalizando pelo menos R$ 6 milhões. A assessoria de Lewandowski confirmou que ele prestou serviços de consultoria jurídica ao banco após deixar o STF em abril de 2023, mas destacou que se retirou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça em 2024.
Detalhes do contrato e continuidade dos serviços
Segundo informações do blog da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, o contrato com a Lewandowski Advocacia começou em agosto de 2023, com uma consultoria institucional prestada pelo próprio Ricardo Lewandowski. Após sua ida para o Ministério da Justiça, o contrato foi transferido para seu filho, Enrique Lewandowski, que passou a oferecer consultoria sobre assuntos fiscais e tributários. Nos 21 meses seguintes à saída do ministro, o escritório ainda faturou R$ 5 milhões com o Banco Master, com os pagamentos cessando apenas em setembro de 2025.
Posicionamento do governo e questões éticas
Nesta quarta-feira (28), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Lewandowski informou o presidente Lula sobre os contratos de consultoria antes de ingressar no governo. Ela ressaltou que não houve irregularidades, pois o ex-ministro cumpriu a lei ao se desvencilhar de todos os contratos. Hoffmann também lembrou que a apuração do Caso Master, incluindo a prisão de Daniel Vorcaro, ocorreu sob a gestão de Lewandowski na Polícia Federal.
Restrições pós-mandato e autorização ética
Ao deixar o cargo de ministro em janeiro, Lewandowski consultou a Comissão de Ética Pública da Presidência sobre a possibilidade de retornar à advocacia. A comissão autorizou sua atuação, mas impôs restrições por seis meses, durante os quais ele fica impedido de atuar em casos relacionados ao Ministério da Justiça, assegurando a conformidade com as normas éticas.