PF investiga campanha orquestrada de influenciadores contra Banco Central após liquidação do Master
PF apura campanha paga de influenciadores contra BC

PF investiga suposta campanha paga de influenciadores contra o Banco Central

A Polícia Federal (PF) deu início a um inquérito para apurar a existência de uma campanha orquestrada nas redes sociais contra o Banco Central (BC). A investigação foi aberta após a autoridade monetária ter decretado a liquidação do banco Master, instituição financeira que já está sob escrutínio do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de fraude.

Denúncias de influenciadores digitais

As suspeitas ganharam força com relatos públicos de influenciadores digitais de direita, que afirmaram ter sido contatados com propostas financeiras para gravar vídeos criticando a ação do BC. Um dos casos mais notórios é o de Rony Gabriel, vereador de Erechim, no Rio Grande do Sul, filiado ao PL. Em entrevista ao jornal O Globo, ele revelou que foi abordado por executivos ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do Master.

Segundo o relato, a intenção seria atacar a decisão do BC de liquidar o banco Master, colocando em dúvida a credibilidade da instituição monetária. Essa possível campanha negativa, se comprovada como paga e coordenada, pode configurar crime contra as instituições financeiras do país.

Contexto da liquidação do Master

O banco Master já é alvo de um inquérito no STF, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por indícios de fraude em operações envolvendo a tentativa de compra da instituição pelo BRB, banco público do Distrito Federal. O BC barrou o negócio, suspeitando que o banco público estaria adquirindo carteiras de crédito consideradas podres, ou seja, sem lastro em ativos reais.

Até o momento, não há um número oficial para o rombo financeiro, mas estimativas apontam para valores entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões. Os investigados, incluindo Vorcaro, já começaram a prestar depoimentos à PF, ampliando o escopo das apurações.

Andamento da investigação

Com base nas denúncias sobre a suposta campanha difamatória, a PF elaborou um relatório preliminar e o encaminhou ao ministro Toffoli. Após examinar postagens e outras evidências, o ministro autorizou a abertura de um novo inquérito específico para investigar essa possível ação orquestrada.

Os investigadores agora têm a missão de apurar se houve pagamento e coordenação na divulgação de críticas ao BC, o que poderia caracterizar um crime mais grave. A situação destaca a interseção entre política, finanças e mídia digital, com implicações significativas para a regulação do setor bancário e a integridade das instituições públicas.

O caso continua em desenvolvimento, com a PF coletando mais provas e ouvindo testemunhas para esclarecer os fatos. A sociedade aguarda ansiosamente por novas informações que possam elucidar essa trama complexa.