Operação Gorjeta: vereador, servidores e empresários são alvos de investigação em Cuiabá
Operação Gorjeta mira vereador e servidores em Cuiabá

Operação Gorjeta investiga vereador, servidores e empresários em Cuiabá

A Câmara de Vereadores de Cuiabá foi isolada nesta terça-feira (27) enquanto policiais cumpriam mandados de busca e apreensão. A operação, batizada de Gorjeta, tem como alvos um vereador, servidores públicos e empresários, em uma investigação que apura supostos desvios de recursos públicos através de emendas parlamentares.

Vereador afastado e suplente pronto para assumir

A vaga deixada aberta pelo vereador Chico 2000, atualmente sem partido, após ser afastado mais uma vez por suspeita de corrupção, deve ser passada para o primeiro suplente, Fellipe Corrêa (PL). A expectativa é que a presidência da Câmara decida sobre a convocação até o final da próxima semana.

Em contato com o g1, Corrêa confirmou que deve pedir exoneração do cargo de secretário de Relações Institucionais com a Câmara e assumir a vaga assim que for formalmente convocado pela presidência. O g1 tentou contato com Chico 2000, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Detalhes da operação e decisões judiciais

A Justiça autorizou o cumprimento de 75 ordens judiciais, incluindo 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em celulares e outros dispositivos eletrônicos. De acordo com as investigações, o grupo teria se organizado para direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa específica.

Parte dos valores repassados retornaria ao vereador Chico 2000, que era responsável pela indicação das emendas, caracterizando o suposto desvio de recursos públicos. Como parte da operação, a Justiça determinou:

  • O afastamento do vereador Chico 2000 do mandato parlamentar.
  • A suspensão do exercício da função pública de dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá.
  • O bloqueio de R$ 676 mil em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas.
  • O sequestro de veículos, uma embarcação, um reboque e imóveis.

Posicionamento da presidência da Câmara

Em nota, a presidente da Câmara Paula Calil (PL) informou que a instituição não é alvo da investigação e que apenas a polícia cumpriu ordens dentro da Casa Legislativa. "A Câmara continuará colaborando com as autoridades sempre que solicitada, com serenidade, transparência e respeito às decisões judiciais", disse.

Histórico de suspeitas envolvendo Chico 2000

Há cinco meses, os vereadores Chico 2000 e Sargento Joelson (PSB) foram afastados da Câmara Municipal após se tornarem alvos da Operação Perfídia, por suspeita de pagamento de propina para a aprovação de projetos no Legislativo. Pouco depois, a Justiça aprovou o retorno dos dois vereadores ao Legislativo.

Chico 2000, cujo nome verdadeiro é Francisco Carlos Amorim Silveira, nasceu em Iúna, no Espírito Santo, no dia 24 de março de 1955. Ele tem 69 anos e atuou como advogado e profissional da área contábil, além de ter sido garçom. Foi reeleito para seu sexto mandato e já ocupou cargos como primeiro secretário da Câmara, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, e presidente da Comissão de Fiscalização Orçamentária. Também presidiu a Câmara no biênio 2023/2024.

A situação reforça a atenção sobre os mecanismos de controle e transparência no uso de recursos públicos em Cuiabá, com a comunidade aguardando os próximos desdobramentos da investigação.