Corregedoria recomenda demissão de presidente da Emdurb por desvios de sucatas em Bauru
Demissão de presidente da Emdurb por desvios de sucatas em Bauru

Corregedoria recomenda demissão de presidente da Emdurb por desvios de sucatas em Bauru

A Prefeitura de Bauru, no interior de São Paulo, anunciou nesta quinta-feira, 29, uma significativa reestruturação na presidência e em duas diretorias da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). A decisão segue um relatório da corregedoria, apresentado à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que recomendou a demissão de gestores da empresa por envolvimento em supostos desvios de sucatas e bens inservíveis.

Mudanças na liderança da Emdurb

O relatório da corregedoria indicava a demissão de três integrantes do alto escalão da Emdurb: Ghislaine Magrini, então presidente da empresa; Bruno Primo, diretor administrativo-financeiro; e Levi Momesso, diretor de Limpeza Pública. Com a reestruturação anunciada, Donizete do Carmo dos Santos assume a presidência da Emdurb, deixando a presidência da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev).

Na Funprev, o cargo passa a ser exercido interinamente por Gilson Gimenes Campos, até que o Conselho Curador da fundação faça a definição definitiva. A Diretoria Financeira da Emdurb será ocupada por Eriton Correa, e a Diretoria de Limpeza Pública por Valter dos Santos Dias. As mudanças entram em vigor a partir desta sexta-feira, 30.

Investigação da 'CEI da Sucata'

A Comissão Especial de Inquérito, conhecida como 'CEI da Sucata', foi criada pela Câmara Municipal de Bauru em 15 de dezembro do ano passado para apurar denúncias de desvio e venda irregular de bens inservíveis e sucatas da Emdurb. A criação da comissão foi assinada por 18 vereadores, demonstrando amplo apoio à investigação.

Segundo a sindicância, em depoimentos prestados à CEI, a presidente Ghislaine Magrini e o diretor Levi Momesso confirmaram que o material foi vendido a um ferro-velho por cerca de R$ 22 mil. Esse valor, conforme as investigações, não teria sido recolhido aos cofres públicos, sendo direcionado a lojas de materiais de construção e móveis de Bauru.

Contexto das denúncias

A comissão investiga denúncias sobre a destinação irregular de materiais danificados após um vendaval que atingiu a cidade em 22 de setembro de 2025. O temporal causou estragos em diversos pontos de Bauru, incluindo queda de árvores, danos em semáforos, na rede elétrica, em residências e em prédios públicos, além de destruir parte da cobertura do Terminal Rodoviário.

A denúncia aponta que a Emdurb teria vendido materiais inservíveis e sucatas de forma direta, sem a realização de leilão público, o que pode contrariar a legislação vigente. Em nota, a Emdurb nega irregularidades e afirma que todos os procedimentos foram realizados dentro da legalidade. O caso também é investigado pela Polícia Civil, ampliando o escopo das apurações.

Reações dos ex-gestores

A TV TEM entrou em contato com os agora ex-gestores citados no relatório. Em nota, Bruno Primo agradeceu à gestão pelo período como diretor e ao comprometimento do corpo técnico da empresa. Levi Momesso afirmou que ainda não teve acesso ao relatório, enquanto Ghislaine Magrini não respondeu às tentativas de contato, deixando questões em aberto sobre sua defesa.

Este caso destaca a importância da transparência e da fiscalização na gestão pública, especialmente em momentos de crise como o pós-vendaval, onde a destinação correta de recursos e materiais é crucial para a reconstrução e o bem-estar da comunidade bauruense.