Deputado Binho Galinha presta novo depoimento em audiência final sobre caso de milícia na Bahia
O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, popularmente conhecido como Binho Galinha, prestou um novo depoimento à Justiça nesta quinta-feira (29), durante a última audiência de instrução do processo criminal contra ele. O parlamentar baiano é suspeito de liderar uma organização criminosa, uma milícia, envolvida em diversos crimes graves na região de Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia.
Audiência marca encerramento da fase de oitivas
A sessão foi realizada no Fórum Desembargador Filinto Bastos e presidida pela juíza Márcia Simões Costa, substituta da 1ª Vara Criminal de Feira de Santana. A audiência começou por volta das 8h30 e foi encerrada às 12h40, marcando o fim da fase de oitivas do caso. Ao todo, 80 testemunhas foram ouvidas ao longo do processo, com uma distribuição significativa entre defesa e acusação.
- 77 testemunhas foram apresentadas pela defesa.
- 3 testemunhas foram da acusação, incluindo delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil.
Além de Binho Galinha, também prestaram depoimento nesta última audiência:
- Mayana Cerqueira da Silva, esposa do deputado.
- Roque Carvalho, policial militar investigado.
- Jackson Macedo Araújo Júnior, também policial militar.
- Thiere Figueiredo Silva, cuja relação com o caso não foi detalhada publicamente.
Histórico do processo e prisão do deputado
O processo teve início em setembro de 2025, mas enfrentou vários adiamentos devido ao grande número de pessoas a serem ouvidas e à indisponibilidade de algumas testemunhas. As primeiras audiências ocorreram nos dias 23 e 24 de setembro, mas uma sessão prevista para o dia 25 foi suspensa após a ausência do deputado federal João Carlos Bacelar, que só depôs em 1º de dezembro.
Binho Galinha já havia sido ouvido anteriormente no dia 1º de dezembro de 2025, também durante uma audiência de instrução no mesmo fórum. O deputado foi preso em 3 de outubro de 2025, dois dias após ser considerado foragido da Justiça, no contexto da Operação Anômico, um desdobramento da "Operação El Patrón" deflagrada pela Polícia Federal.
Segundo as investigações, o grupo liderado pelo parlamentar utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas, incluindo a venda de peças de veículos roubados em uma loja de autopeças em Feira de Santana. Atualmente, Binho Galinha está custodiado em uma sala de Estado-Maior no Centro de Observação Penal (COP), localizado no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Entendimento do STF e próximos passos
A prisão do deputado foi mantida após um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas a crimes cometidos durante o exercício do mandato e relacionados à função parlamentar. Crimes anteriores ao mandato ou sem relação direta com a atividade política devem ser julgados pela primeira instância. A Justiça destacou que a maioria dos ilícitos investigados contra Binho Galinha seriam anteriores ao seu atual mandato.
Com o encerramento da fase de instrução, o processo segue agora para as alegações finais da acusação e da defesa. Caso haja condenação, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão, refletindo a gravidade das acusações que incluem lavagem de dinheiro, organização criminosa e receptação de peças de veículos roubados.
O caso continua a atrair atenção significativa na Bahia, especialmente em Feira de Santana, onde as atividades da suposta milícia teriam ocorrido, levantando questões sobre segurança pública e integridade política na região.