Dois mortos em tiroteio na Praia do Futuro: segurança e PM são vítimas de briga em barraca
Uma briga em uma barraca de praia na movimentada Praia do Futuro, em Fortaleza, terminou em tragédia com dois mortos. As vítimas são o jovem Isaías da Costa dos Anjos, de 22 anos, e o policial militar Paulo Henrique de Lima Silva, de 37 anos. O caso, que chocou a capital cearense, ocorreu na noite do dia 11 de janeiro e teve desdobramentos nas semanas seguintes.
Detalhes do crime e vítimas
Isaías da Costa, que trabalhava como segurança freelancer no evento realizado na barraca Sunrise Beach Club, foi baleado na cabeça durante o tiroteio. Ele não estava armado e, conforme relatos da família, não se envolveu na confusão, limitando-se a auxiliar na organização da fila e no acesso à bilheteria. O jovem ficou internado no hospital Instituto Dr. José Frota (IJF) por duas semanas, vindo a falecer no domingo, 25 de janeiro.
Já o policial militar Paulo Henrique, conhecido como "Sd P. Silva", estava de folga no momento do crime. Ele integrava a 2ª Cia do 19º BPM de Fortaleza desde 2018. Testemunhas e imagens de câmeras de segurança mostram que, enquanto aguardava na fila para entrar na barraca, ele se desentendeu com um homem não identificado, que lhe deu um tapa no rosto, iniciando uma briga. O confronto escalou rapidamente para um tiroteio, resultando na morte do PM e no ferimento de seu amigo, Iego Rodrigues de Sousa, além de Isaías.
Investigação e suspeitos
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil identificou dois policiais militares como principais suspeitos do tiroteio. Eles também estavam de folga no dia do ocorrido. No dia seguinte ao crime, os dois se apresentaram voluntariamente à DHPP, onde foram ouvidos, tiveram suas armas apreendidas e, posteriormente, liberados.
A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) da Polícia Militar abriu um processo administrativo contra um dos suspeitos, o soldado Iuri Benício Alves. De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial do Estado, Iuri estaria atuando como segurança do evento e teria se desentendido com Paulo Henrique e Iego Rodrigues, o que culminou no tiroteio fatal. A CGD designou uma comissão para apurar as condutas transgressivas atribuídas ao militar.
Repercussões e notas oficiais
A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) emitiu uma nota de pesar, expressando solidariedade à família do policial morto e aos colegas de farda. "Neste momento de profunda dor, que Deus possa confortar o coração de todos e fortalecer familiares e amigos diante de tamanha perda", diz o comunicado.
A Sunrise Beach Club, por sua vez, divulgou uma nota esclarecendo que o episódio ocorreu integralmente na área externa do estabelecimento, antes do acesso controlado. A barraca ressaltou que seus protocolos de segurança impediram a entrada de armas na área interna, onde acontecia uma festa, e lamentou profundamente os fatos, solidarizando-se com as famílias afetadas.
O caso segue sob investigação das autoridades, que buscam apurar todos os detalhes da briga que terminou com duas vidas perdidas em um cenário de lazer à beira-mar.