Desaparecimento de corretora em Caldas Novas revela conflito com síndico e 12 processos judiciais
A corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, desapareceu na noite de 17 de dezembro de 2025 no Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, em Caldas Novas, sul de Goiás. O caso ganhou novos contornos com a revelação de que o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, responde a 12 processos envolvendo a vítima, conforme informações da família.
Processos judiciais e denúncia por perseguição
Dos 12 processos, 11 estão em andamento na Justiça e um foi arquivado com sentença favorável à Daiane. As ações abrangem áreas cível e criminal, incluindo um caso de lesão corporal de maio de 2025, no qual Cleber é acusado de dar uma cotovelada na corretora durante um confronto sobre desligamento de energia.
Em 19 de janeiro de 2026, 39 dias após o desaparecimento, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, considerando sua posição administrativa no condomínio. A defesa de Cleber não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Relatos familiares e sensação de justiça
A mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, expressou que a denúncia traz uma sensação de justiça sendo feita, embora não resolva o desaparecimento. Ela afirmou que a filha teria sido perseguida por cerca de um ano, tanto pessoalmente quanto em grupos de WhatsApp.
Fernanda Alves, irmã de Daiane, destacou que uma assembleia convocada por Cleber para expulsar a corretora do prédio foi irregular, com votos majoritariamente favoráveis à medida, apesar de ela não ter problemas com outros vizinhos. Pessoas que estavam na reunião votaram contra a 'expulsão', mas o síndico declarou que faria de tudo para impedir que ela trabalhasse no prédio, relatou.
Circunstâncias do desaparecimento e investigações
Daiane desapareceu ao descer ao subsolo do prédio para verificar uma queda de energia, deixando a porta do apartamento aberta, mas ela foi encontrada fechada posteriormente. Vídeos mostram a corretora entrando no elevador e passando pela portaria, sem imagens de sua saída do prédio ou retorno ao apartamento.
A família acredita que o rapto foi elaborado por alguém familiarizado com os hábitos de Daiane e as dependências do edifício. O advogado Plínio César Cunha Mendonça acompanha as investigações, que incluem laudos periciais no condomínio e análise de objetos apreendidos.
Dificuldades na investigação e detalhes adicionais
A Polícia Civil montou uma força-tarefa, mas enfrenta obstáculos como a quantidade de saídas e entradas no prédio e a espera pela perícia do gravador das câmeras de segurança. A polícia quebrou o sigilo bancário de Daiane, constatando ausência de transações após o desaparecimento, e seu carro estava em uma oficina em Uberlândia (MG), com a corretora usando aplicativos para locomoção em Caldas Novas.
O caso continua sob investigação, com a família aguardando respostas sobre o paradeiro de Daiane Alves, enquanto os processos contra o síndico avançam na Justiça.