Marinha amplia buscas no rio Mearim por crianças desaparecidas há 18 dias no Maranhão
Marinha amplia buscas por crianças desaparecidas no Maranhão

Marinha amplia buscas em rio próximo a local onde irmãos desapareceram há 18 dias no Maranhão

As operações de busca por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que estão desaparecidos há 18 dias em Bacabal, no Maranhão, ganharam um novo capítulo com a ampliação das varreduras no rio Mearim. Nesta quarta-feira (21), a Marinha do Brasil e o Corpo de Bombeiros Militar do estado decidiram expandir a área de atuação no curso d'água, com o objetivo principal de descartar a hipótese de que as crianças tenham caído na água.

Primo de 8 anos participa das buscas com autorização judicial

Um elemento crucial nas investigações tem sido a participação do primo das crianças, um menino de 8 anos identificado como Anderson Kauã, que foi resgatado no dia 7 de janeiro após três dias desaparecido. Com autorização expressa da Justiça do Maranhão, ele acompanhou policiais e uma equipe especializada em proteção à infância para indicar os últimos caminhos percorridos com os primos.

O menino reafirmou informações já prestadas a peritos da Polícia Civil e psicólogos, destacando uma cabana conhecida como "casa caída", localizada a aproximadamente 500 metros do rio Mearim. Segundo seu relato, esse foi o último local onde esteve com Ágatha e Allan antes de sair em busca de auxílio. Cães farejadores confirmaram a presença das três crianças no local, situado no povoado São Raimundo, zona rural de Bacabal.

Rede de proteção e acompanhamento psicológico

Para preservar o bem-estar do menino resgatado, foi estabelecida uma rede de proteção para afastá-lo de qualquer assédio ou exposição indevida. Ele recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após 14 dias internado, e continua sob acompanhamento psicológico contínuo. A psicóloga Ana Letícia enfatizou a importância desse suporte: "Esse dano emocional vai existir. Por isso, esse cuidado e esse acompanhamento precisam ser mantidos para evitar danos emocionais maiores e impedir que ele seja revitimizado".

Tecnologia de ponta nas operações de busca

As buscas estão concentradas no trecho do rio Mearim onde os cães farejadores detectaram vestígios. A Marinha emprega um equipamento subaquático side scan sonar, capaz de mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras, gerando imagens detalhadas do fundo do rio mesmo em condições de baixa visibilidade. O dispositivo, proveniente do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA), chegou a Bacabal no sábado (17) e é operado por 11 militares.

Enquanto isso, o acampamento montado no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças residiam, foi desativado após uma varredura minuciosa da mata e lagos adjacentes, sem resultados positivos. Com a retirada dos voluntários que atuaram nas primeiras duas semanas, a comunidade local começa a retomar sua rotina habitual.

Investigação policial e angústia familiar

Uma comissão composta por oito delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) conduz o inquérito para apurar o caso. Na segunda-feira (19), agentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) ouviram moradores de uma vila de pescadores no povoado São Raimundo, próximos ao local do resgate do menino. A polícia afirma que não há indícios de envolvimento dessas testemunhas no desaparecimento, mas busca reunir o máximo de informações para localizar Ágatha e Allan.

O avô das crianças, José Emídio Reis, expressou a dor e a esperança da família: "O que eu mais quero é abraçar, como sempre fazia todos os dias pela manhã e à noite, antes de dormir. O que eu espero é dar um abraço neles e beijar muito, muito, e não saber quando isso vai acabar". A ausência de pistas concretas após quase três semanas mantém as equipes estaduais e federais em alerta máximo, numa corrida contra o tempo para esclarecer o mistério que envolve o desaparecimento das duas crianças.