Gravador de câmeras de prédio onde morava corretora desaparecida é apreendido para perícia
Gravador de câmeras de prédio de corretora desaparecida vai para perícia

A Polícia Civil de Goiás deu um passo crucial na investigação do desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, que está sem paradeiro há mais de um mês. O gravador de câmeras de segurança do prédio onde ela residia em Caldas Novas, no sul do estado, foi apreendido e encaminhado para perícia técnica.

Objetivo da perícia no equipamento de vigilância

Conforme explicou o delegado André Luiz Barbosa à TV Anhanguera, o DVR (gravador digital) foi recolhido para que os peritos possam certificar se houve ou não adulteração no dispositivo. A análise busca identificar eventuais manipulações, o momento em que ocorreram e se existem imagens que possam ter sido perdidas ou não repassadas à polícia.

"O DVR foi apreendido para a gente certificar se não houve nenhum tipo de adulteração e, se houve, qual foi e em que momento foi, se existiam imagens que poderiam estar perdidas e que não tenham sido passadas para a Polícia Civil", detalhou o delegado.

Outros elementos coletados no apartamento

Além do gravador das câmeras, os investigadores também recolheram objetos pessoais que estavam no apartamento da corretora. A mãe de Daiane, Nilse Alves Pontes, de 61 anos, revelou que uma escova de cabelo da filha foi levada para realizar análise de DNA, visando obter possíveis evidências biológicas.

Últimos momentos antes do desaparecimento

Daiane foi vista pela última vez no dia 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do prédio para restabelecer a energia do seu apartamento, que estava sem luz. Ela gravou vídeos mostrando a falta de energia elétrica, enviou-os para uma amiga e informou que iria religar o padrão de energia.

As imagens das câmeras de monitoramento do condomínio registram a corretora entrando no elevador enquanto conversava, passando pela portaria e falando com o recepcionista sobre o problema. Em seguida, ela retornou ao elevador e desceu para o subsolo, local de onde nunca mais foi vista.

Descoberta do sumiço e relato da mãe

A mãe de Daiane tinha combinado de ir a Caldas Novas no dia 18 para conversarem sobre locações para o Natal e ano-novo. Ao chegar ao apartamento, porém, Nilse não encontrou a filha. Ela contou que a porta estava inicialmente aberta, mas depois foi encontrada trancada, o que levantou suspeitas. No mesmo dia, a família registrou um boletim de ocorrência.

Conflitos anteriores com moradores do condomínio

O caso ganha contornos mais complexos com a revelação de que Daiane enfrentava desavenças com pessoas do prédio. Em agosto de 2025, uma Assembleia Geral Extraordinária do condomínio aprovou, por maioria, a expulsão da corretora, decisão que previa que ela deixasse o edifício em até 12 horas e mantivesse distância da recepção.

A moradora entrou com ação na Justiça alegando irregularidades na convocação da assembleia e ausência de direito de defesa. O Judiciário suspendeu os efeitos da decisão até a análise completa do caso, entendendo que ela não teve chance de se defender e que a assembleia pode não ter seguido as regras do próprio condomínio.

"Tivemos no ano de 2025 muitos problemas que geraram processos contra o condomínio do prédio onde moramos. Processos que tramitam na justiça de Caldas", afirmou Nilse, mãe da desaparecida.

A investigação segue em andamento, com a polícia cruzando as informações das perícias técnicas com os depoimentos e os conflitos conhecidos, na tentativa de esclarecer o misterioso desaparecimento da corretora em Caldas Novas.