Câmera de segurança registra discussão entre síndico e corretora desaparecida em Caldas Novas
Discussão entre síndico e corretora desaparecida é registrada em vídeo

Câmera de segurança registra discussão entre síndico e corretora desaparecida em Caldas Novas

A corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que desapareceu em Caldas Novas, foi denunciada pelo Ministério Público de Goiás em 2025 por violação de domicílio, conforme dados do Tribunal de Justiça de Goiás. O processo judicial envolve diretamente o síndico Cleber Rosa de Oliveira, responsável pela administração do prédio onde a mulher sumiu.

Vídeo mostra confronto que gerou denúncia

Uma câmera de segurança do condomínio registrou a discussão que deu origem à denúncia. As imagens, capturadas em fevereiro de 2025, mostram o síndico conversando com Arnaldo Silva, padrasto de Daiane, de 79 anos, dentro de uma recepção com porta de vidro. Após Cleber fechar a porta, Daiane chega ao local e começa a bater na porta, afirmando que não queria que o síndico ficasse sozinho na sala com seu familiar.

Em seguida, a corretora alega que Cleber a havia agredido momentos antes. Segundo o documento da denúncia, Arnaldo estava tratando de um vazamento em seu apartamento com o síndico quando Daiane tentou entrar na sala. Ela conseguiu acesso após Maicon Douglas Souza, filho de Cleber, abrir a porta para verificar a situação. A denúncia relata que, após entrar, Daiane foi contida pelos envolvidos.

Defesa da corretora alega legítima defesa

Em nota enviada ao portal de notícias, a defesa de Daiane afirmou que a inocência da corretora será comprovada durante o processo. Os advogados argumentam que ela apenas reagiu a uma situação direta de risco, temendo pela segurança do padrasto. A defesa sustenta que a mulher teria sido agredida previamente por Cleber, justificando sua ação como legítima defesa.

Histórico de processos entre as partes

Conforme dados do Tribunal de Justiça de Goiás, Daiane e Cleber estão envolvidos em outros processos judiciais. Entre as ações, destacam-se casos de calúnia, difamação e lesão corporal contra a corretora. A família de Daiane afirma que existem, no total, doze processos envolvendo os dois.

No processo mais recente, datado de 19 de janeiro de 2025, o Ministério Público de Goiás denunciou Cleber pelo crime de perseguição, com agravante de abuso de função, considerando sua posição como síndico do local onde Daiane residia. Essa denúncia ocorreu trinta e nove dias após o desaparecimento da corretora.

Desaparecimento ainda sem solução

Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas. Ela morava no local e administrava seis imóveis da família. Sua filha, uma adolescente de 17 anos, que reside com ela, não estava no prédio no dia do ocorrido.

O delegado André Barbosa, responsável pelas investigações, informou que o caso não está sendo tratado como crime até o momento. Em entrevista à TV Anhanguera, ele afirmou que todos os envolvidos estão sendo considerados nas apurações, mas não há suspeitos formais. "Trabalhamos com a hipótese da Daiane ter deixado o local por conta própria ou mesmo ter sido levada do prédio. A polícia não trabalha com suspeitos porque não existe comprovação de que Daiane possa ter sido morta", declarou o delegado.

Posição da defesa do síndico

A defesa de Cleber enviou uma nota ao portal de notícias esclarecendo que o síndico não é investigado no inquérito policial relacionado ao desaparecimento de Daiane. Os advogados afirmam que ele tem colaborado com as autoridades, fornecendo todas as informações necessárias para as investigações.

O caso continua em aberto, com a polícia buscando esclarecer os fatos que levaram ao desaparecimento da corretora, enquanto os processos judiciais entre as partes seguem seu curso no Tribunal de Justiça de Goiás.