Crianças desaparecidas no Maranhão: denúncia em SP e força-tarefa integrada em busca
Uma denúncia recebida pela Polícia Civil de São Paulo aponta que duas crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, teriam sido vistas, por volta das 18h deste sábado (24), em um hotel no bairro da República, no Centro da capital paulista. A informação ainda está em apuração e não há confirmação oficial de que as crianças vistas sejam os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4.
Desaparecimento e comunicação entre estados
Os irmãos estão desaparecidos desde o dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil do Maranhão já foi comunicada sobre o possível paradeiro das crianças, para que as providências cabíveis sejam adotadas de forma integrada entre os dois estados.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que todas as informações e denúncias recebidas são devidamente checadas, seja em cooperação com forças policiais de outros estados, seja com o deslocamento de equipes do Maranhão, quando necessário. Sobre a informação envolvendo o estado de São Paulo, a SSP-MA esclareceu que, para não haver prejuízo aos trabalhos policiais, neste momento não é possível prestar mais detalhes.
Buscas contínuas e investigação aprofundada
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael continuam, com atuação integrada das forças de segurança, sem restrição a um único ambiente, abrangendo áreas de mata, rios e lagos, em paralelo às investigações conduzidas pela Polícia Civil. A comissão de investigação constituída segue realizando oitivas de testemunhas e outros procedimentos considerados essenciais para o esclarecimento do caso.
A força-tarefa que procura pelos irmãos passou a ser feita de forma mais direcionada, com foco na investigação policial e na adoção de ferramentas que possam ajudar na localização das crianças. Entre os recursos usados está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão.
Uso do Amber Alert e estratégia de buscas
O sistema Amber Alert emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é considerado essencial para ampliar o alcance das buscas pelos irmãos.
As buscas pelos irmãos Ágatha e Allan completam 22 dias e passaram por uma mudança na estratégia na última semana, segundo as autoridades. Isso ocorreu após o depoimento do primo de 8 anos que estava com as crianças e com a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas. Depois de varreduras minuciosas em diversas áreas, sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada.
Participação do menino e alerta sobre fake news
O menino de 8 anos, que também ficou desaparecido na mata por cerca de três dias e foi encontrado em 7 de janeiro, teve alta na terça-feira (20) e a Justiça do Maranhão concedeu autorização para que ele pudesse participar das buscas pelos primos. Pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado.
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, usou as redes sociais para alertar que os boatos que estão sendo espalhados sobre o caso prejudicam as buscas e aumentam a dor da família. Ele destacou que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança é crime e reforçou que as informações oficiais sobre o caso são divulgadas por meio de porta-vozes autorizados ou de notas oficiais.
Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago. Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso, com participação de mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários.