Operação Pretorianos prende PMs aposentados ligados ao bicheiro Rogério de Andrade no Rio
Uma ação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) resultou na prisão de dois policiais militares aposentados acusados de integrar a organização criminosa do bicheiro Rogério de Andrade. A operação, realizada na manhã desta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, marca a segunda fase da Operação Pretorianos, que investiga envolvimento de agentes de segurança com o crime organizado no estado.
Detalhes das prisões e acusações
Os PMs aposentados Marcos Antonio de Oliveira Machado, conhecido como Machado, e Carlos André Carneiro de Souza, apelidado de Carneiro, foram detidos nas primeiras horas do dia. Eles foram levados, respectivamente, para a 32ª DP (Taquara) e para a 24ª DP (Piedade).
De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os ex-policiais atuavam como segurança armada dos pontos de exploração de máquinas caça-níqueis e outras atividades ilícitas comandadas por Rogério de Andrade. Além disso, prestavam serviços diretos ao bicheiro e a seus familiares.
Suborno e direcionamento de ações policiais
Um dos aspectos mais graves da investigação aponta que Carlos André Carneiro de Souza é suspeito de subornar um policial militar da ativa para obter informações privilegiadas sobre operações policiais. Segundo o MPRJ, o objetivo era direcionar as ações contra estabelecimentos de bicheiros rivais no estado, favorecendo assim a organização de Andrade.
Essa prática revela uma tentativa de corromper a estrutura policial e manipular o combate ao crime para benefício próprio, um cenário que preocupa as autoridades.
Contexto da operação e histórico
A Operação Pretorianos é conduzida pelo Gaeco com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). O nome da ação faz alusão à Guarda Pretoriana, unidade de defesa pessoal dos imperadores romanos, simbolizando a proteção oferecida pelos acusados ao bicheiro.
Esta é a segunda fase da operação. Em 2024, na primeira etapa, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra policiais, incluindo três policiais civis e um agente penitenciário, suspeitos de negociar a liberação de presos em flagrante mediante pagamentos ilegais.
A Operação Pretorianos é uma continuação da Operação Calígula, realizada em 2022, que visava as redes de jogos de azar de Rogério de Andrade e do ex-policial Ronnie Lessa.
Situação de Rogério de Andrade
Rogério Andrade, o bicheiro central do caso, está preso no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde outubro de 2024. Nesta operação, o MPRJ expediu um novo mandado de prisão contra ele, reforçando as acusações e a investigação em curso.
A prisão dos PMs aposentados evidencia a penetração do crime organizado em setores da segurança pública, levantando questões sobre a integridade e o controle interno nas forças policiais do Rio de Janeiro.