Operação Galezia desmantela esquema de documentos falsos na Paraíba
Uma ação conjunta das forças de segurança resultou na desarticulação, na manhã desta quinta-feira (22), de um sofisticado esquema de emissão de documentos de identidade falsos para criminosos. Batizada de Operação Galezia, a iniciativa cumpriu mandados judiciais em três municípios paraibanos: Campina Grande, Alcantil e Barra de São Miguel.
Funcionário público é o principal investigado
De acordo com informações da Polícia Civil, o alvo central da investigação é um servidor público lotado nas prefeituras de Alcantil e Barra de São Miguel. O indivíduo aproveitava a estrutura oficial onde trabalhava para inserir dados fraudulentos em registros governamentais, possibilitando a posterior emissão de RGs falsificados.
O delegado Victor Melo, responsável pelo caso, detalhou o modus operandi: "O criminoso cedia apenas a foto, mas o nome era falso, a impressão digital era falsa, e assim a pessoa podia andar livremente em todo o território brasileiro sem ser incomodado. Como ele (o investigado) tinha acesso livre a essa confecção, após toda a montagem do documento ele encaminhava para João Pessoa apenas para impressão do documento. Toda a fraude era feita por ele através da inserção de informações falsas no documento".
Pagamento por organizações criminosas
A investigação apurou que o servidor público recebia valores em dinheiro de criminosos e até de organizações criminosas em troca da venda dos documentos falsos. Essa prática permitia que indivíduos com passagens pela justiça circulassem pelo país sem serem identificados pelas autoridades.
Os mandados de busca e apreensão foram executados nas cidades de Campina Grande e Barra de São Miguel, além dos Postos de Identificação das prefeituras de Alcantil e Barra de São Miguel. Como medida cautelar, o funcionário investigado foi afastado do cargo e passará a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Investigações continuam e operação envolve múltiplas instituições
A Polícia Civil adiantou que as investigações devem prosseguir para apurar o possível envolvimento de outras pessoas no esquema. A operação conjunta contou com a participação de várias instituições, demonstrando a coordenação entre diferentes esferas de segurança pública.
Entre os órgãos envolvidos estão:
- Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO)
- Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL)
- Ministério Público da Paraíba, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO)
- Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP)
Este caso evidencia os desafios no combate à fraude documental e a importância da vigilância constante sobre o acesso a sistemas oficiais de identificação. A descoberta desse esquema reforça a necessidade de controles mais rígidos e auditorias periódicas nos processos de emissão de documentos públicos.