MPRJ dá continuidade à Operação Pretorianos com novos mandados de prisão
MPRJ cumpre mandados na Operação Pretorianos contra bicheiros

MPRJ intensifica Operação Pretorianos com novas prisões

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deu um novo passo na Operação Pretorianos nesta quinta-feira (29), cumprindo três mandados de prisão como desdobramento da investigação que, em 2024, resultou na prisão de 18 policiais. Esses agentes são acusados de fornecer segurança armada para o conhecido contraventor Rogério Andrade, figura central do jogo do bicho no estado.

Contexto histórico da rivalidade criminosa

Rogério Andrade, considerado o maior bicheiro do Rio, está preso desde outubro de 2024 em um processo separado, relacionado ao assassinato de seu rival, Fernando Iggnácio. Iggnácio foi executado em novembro de 2020 no Recreio dos Bandeirantes, logo após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis. Os tiros, disparados com um fuzil 556, marcaram o ápice de uma disputa familiar que remonta à morte de Castor de Andrade, tio de Rogério e figura emblemática da contravenção carioca.

Com a morte de Castor em 1997, o império do jogo do bicho foi dividido entre Paulo Roberto de Andrade (Paulinho), filho de Castor, e Fernando Iggnácio, genro do chefão. Rogério, no entanto, acreditava ter direito à herança e iniciou uma disputa territorial que resultou no assassinato de Paulinho em 1998, crime atribuído a ele. Investigações da Polícia Federal indicam que o conflito entre Rogério e Iggnácio, entre 1999 e 2007, levou a aproximadamente 50 mortes, incluindo policiais envolvidos com os contraventores.

Detalhes da Operação Pretorianos

A Operação Pretorianos foi deflagrada em março de 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Além das 18 prisões iniciais, cerca de 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na denúncia de 31 pessoas por organização criminosa.

Segundo o Ministério Público, os policiais investigados se autointitulavam "Vampiros" e atuavam para proteger Rogério Andrade, interferindo em operações policiais e monitorando agentes públicos. O grupo também teria influenciado disputas territoriais pelo controle do jogo do bicho. Parte das evidências foi obtida através da análise do celular de Márcio Garcia da Silva, conhecido como Mug, identificado como integrante do núcleo de gestão da organização.

Em conversas interceptadas, Mug mencionou a necessidade de simular ações policiais para criar a aparência de combate ao crime, uma prática que, segundo promotores, servia para manter índices de apreensão elevados sem realmente prejudicar as atividades ilegais do grupo. A denúncia também relata episódios de monitoramento de agentes públicos, com registros fotográficos e acompanhamento de veículos próximos à residência de Rogério Andrade.

Situação atual de Rogério Andrade

Atualmente, Rogério Andrade, patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cumpre pena no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024. Ele é acusado de ter ordenado o assassinato de Fernando Iggnácio, em um caso que expõe as complexas redes de poder e violência no submundo do crime organizado carioca.

As novas prisões desta quinta-feira reforçam o compromisso do MPRJ em desmantelar estruturas criminosas que envolvem agentes públicos, destacando os desafios contínuos no combate à corrupção e à violência no Rio de Janeiro.