Justiça do Rio mantém contraventor Rogério Andrade em presídio federal após negar habeas corpus
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou um recurso da defesa do contraventor Rogério de Andrade e decidiu mantê-lo no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada pela 8ª Câmara Criminal, que indeferiu um pedido de habeas corpus contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) imposto ao acusado.
Rogério Andrade está preso desde novembro de 2024, após ser detido em outubro do mesmo ano, acusado de mandar matar o rival Fernando Iggnácio. Os advogados do bicheiro haviam entrado com o recurso, mas o juízo destacou que a medida é proporcional e necessária para resguardar a segurança pública.
Decisão judicial fundamentada na gravidade dos crimes
Na decisão, a justiça considerou a gravidade dos crimes imputados e a periculosidade do acusado. O texto justifica que "a transferência dos líderes para presídios nos quais o Estado exerce maior aparato de segurança e controle interfere na organização das estruturas criminosas".
O documento ainda ressalta que essas organizações possuem métodos violentos de domínio territorial, com uso frequente de intimidação e armas em seus redutos controlados. Em novembro, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) já havia obtido na Justiça a manutenção do bicheiro no presídio federal.
Contexto histórico da disputa entre contraventores
Rogério Andrade é sobrinho de Castor de Andrade, um dos nomes mais conhecidos da contravenção carioca. Com a morte do tio em 1997, ele não herdou de pronto o espólio da contravenção. A responsabilidade ficou com Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, filho de Castor, e Fernando Iggnácio, genro do chefão.
Na divisão, Iggnácio ficou com os caça-níqueis, e Paulinho assumiu as bancas do bicho. No entanto, Rogério considerava ter direito à herança e passou a disputar território com ambos. Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que assumiu o negócio do primo e começou a avançar sobre o de Iggnácio.
Investigações da Polícia Federal mostram que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, entre 1999 e 2007, resultou em 50 mortes, incluindo policiais acusados de prestar serviços para os contraventores.
Detalhes do crime que levou à prisão
Fernando Iggnácio, genro e herdeiro de Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020 em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Ele havia acabado de desembarcar de um helicóptero, vindo de Angra dos Reis, na Costa Verde, e foi alvejado ao caminhar até o carro. Os tiros foram disparados com um fuzil 556.
A TV Globo tenta contato com a defesa do contraventor para obter mais informações sobre o caso. A manutenção de Rogério Andrade no presídio federal reforça os esforços das autoridades no combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro.