Criminalidade avança nas praias do Brasil: facções transformam paraísos turísticos em territórios de guerra
Facções dominam praias brasileiras: crime organizado no verão 2026

Criminalidade avança nas praias do Brasil: facções transformam paraísos turísticos em territórios de guerra

O verão de 2026 tem sido marcado por uma presença acima da média nos pontos mais concorridos da extensa e bela costa brasileira. Além dos problemas usuais, como superlotação, preços abusivos e caixinhas de som em volume alto, o desejado aumento da demanda que movimenta as economias locais trouxe um grave efeito colateral: a expansão do crime organizado para os destinos turísticos.

À sombra do sol escaldante e da legalidade, se esconde a bandidagem, que não tem hesitado em estender aos paraísos tropicais os mesmos métodos brutais adotados nas periferias das grandes cidades, especialmente da capital fluminense. Nas praias mais isoladas, drogas são vendidas e consumidas à luz do dia, sob o olhar complacente de algumas autoridades e um clima de falsa segurança.

Paraty: cobrança de pedágios e esconderijos caiçaras

Na histórica cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, homens que afirmam pertencer ao Comando Vermelho passaram a cobrar pedágios de barqueiros dedicados aos passeios marítimos e deslocamentos para praias remotas, como Sono e Ponta Negra. As comunidades caiçaras também se tornaram refúgios para líderes de facções.

"Todo mundo sabe que eles estão aqui, comprando casas", relata um morador de Ponta Negra que pediu anonimato. "A polícia vem, eles escapam para a mata e depois voltam". Essa situação ilustra como o crime se infiltra em áreas tradicionalmente pacíficas, impondo uma rotina de medo e extorsão aos residentes locais.

Nordeste: milícias e assassinatos em destinos populares

No Nordeste, cenários semelhantes se repetem com intensidade. As polícias estaduais, especialmente em 2026, têm investigado a ação de milícias em destinos muito populares, como Jericoacara no Ceará, Porto de Galinhas em Pernambuco e Pipa no Rio Grande do Norte. Há casos de assassinato sob investigação, evidenciando a gravidade da situação.

Um inquérito conduzido pela Polícia Civil de Pernambuco revelou que um único traficante na praia de Porto de Galinhas movimentou 10 milhões de reais por ano após a pandemia. A mesma praia foi palco de um episódio violento onde um casal homossexual foi espancado por barraqueiros após uma discussão sobre o valor de uma conta, que incluía cobrança de consumação mínima, prática ilegal.

Casos trágicos e influência criminosa

Em Jericoacara, o assassinato de um turista de 16 anos de São Paulo, em dezembro de 2024, chocou o país. A Polícia Civil concluiu que ele foi confundido pelo Comando Vermelho, atuante na região, com um membro de um grupo rival paulista. O jovem, no entanto, não tinha qualquer ligação com organizações criminosas.

Já na praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, as investigações apontam para a influência nociva do autodenominado Sindicato do Crime, facção surgida há dez anos no presídio de Alcaçuz, na Grande Natal. Essa presença criminosa transforma destinos cobiçados em territórios de guerra, onde a violência e a ilegalidade se sobrepõem ao lazer e à tranquilidade.

A escalada do crime organizado nas praias brasileiras não apenas ameaça a segurança de turistas e moradores, mas também coloca em risco a economia local, dependente do turismo. A necessidade de ações eficazes por parte das autoridades se torna cada vez mais urgente para reverter esse cenário sombrio e restaurar a paz nos cartões-postais do país.