Polícia investiga três homicídios na UTI de hospital particular em Taguatinga, DF
Três técnicos de enfermagem presos por homicídios em UTI no DF

Polícia Civil do DF investiga assassinatos de pacientes em unidade de terapia intensiva

A Polícia Civil do Distrito Federal está investigando um caso chocante de homicídios ocorridos dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. Três técnicos de enfermagem foram identificados e presos sob a acusação de terem assassinado três pacientes que estavam internados no local.

Suspeitos confessam crimes após confronto com evidências

Os três suspeitos, já demitidos pelo hospital, são:

  • Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos
  • Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos
  • Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos

Segundo o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, o técnico Marcos Vinícius é apontado como o principal executor dos crimes. Ele inicialmente negou as acusações, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram as ações criminosas.

Métodos cruéis utilizados contra pacientes vulneráveis

A investigação revelou que o suspeito de 24 anos utilizou métodos particularmente cruéis para cometer os homicídios:

  1. Injeção de doses altas de um medicamento não divulgado, usando o produto como veneno
  2. Em uma das vítimas, aplicação de 13 seringas de desinfetante diretamente na veia
  3. Uso de senha médica fraudulenta para obter o medicamento utilizado nos crimes

As duas técnicas de enfermagem são acusadas de terem dado cobertura ao colega em dois dos três crimes, conforme detalhado pelas autoridades policiais.

Vítimas tinham perfis diversos e sofreram piora súbita

As três vítimas fatais foram identificadas como:

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada de Taguatinga
  • João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público do Riacho Fundo I
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor público de Brazlândia

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, todos os pacientes apresentavam gravidades diferentes, mas em cada caso houve uma piora súbita que chamou a atenção tanto do hospital quanto dos investigadores. As imagens das câmeras de segurança mostraram que os medicamentos eram aplicados justamente nos momentos de deterioração do estado de saúde das vítimas.

Investigação ampliada e prisões realizadas

As prisões dos ex-técnicos de enfermagem ocorreram no dia 11 de janeiro, com os agentes cumprindo também três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Uma segunda fase da operação foi deflagrada na quinta-feira, 15 de janeiro, quando dispositivos eletrônicos foram apreendidos em Ceilândia e Samambaia.

A Polícia Civil continua investigando se existem outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades de saúde onde o principal suspeito, que trabalhava há cinco anos na área, atuou profissionalmente. Após ser demitido do Anchieta, ele já estava trabalhando em uma UTI pediátrica de outro hospital particular em Taguatinga.

Reações das instituições e familiares

O Hospital Anchieta emitiu nota afirmando que, ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas aos três óbitos na UTI, instaurou um comitê interno de análise que, em menos de vinte dias, resultou na identificação de evidências envolvendo os ex-técnicos. A instituição requereu a instauração de inquérito policial e afirma ter entrado em contato com as famílias das vítimas.

A família de João Clemente Pereira, uma das vítimas, manifestou através de advogados que até o dia 16 de janeiro acreditava que o falecimento havia ocorrido por causas naturais. Eles expressaram profundo pesar e indignação pelos fatos, confiando na atuação das autoridades para apuração integral do caso.

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal, ressaltando o compromisso com a segurança do paciente e a ética profissional.

A investigação corre sob sigilo judicial, o que impede a divulgação de informações adicionais sobre as partes envolvidas enquanto o processo segue seu curso legal.