Justiça pronuncia trio a júri por morte de jovem que ajudou em abordagem policial no Acre
A 1ª Vara Criminal da Comarca de Cruzeiro do Sul pronunciou três pessoas a júri popular pela morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, ocorrida em 8 de março do ano passado. A decisão, da juíza Gláucia Gomes, refere-se aos três primeiros presos no crime, que devem responder por homicídio qualificado. Eles seguem presos na cidade acreana.
Contexto do crime e motivação da facção
O jovem morreu aproximadamente um mês após ajudar a imobilizar um homem durante uma abordagem policial, fato que gerou revolta entre membros de uma facção criminosa. O corpo de João Vitor foi encontrado três dias após seu desaparecimento, às margens do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre.
Segundo a Justiça, a participação dos pronunciados no crime ficou comprovada por meio de imagens de uma vídeo chamada realizada no local da morte. Com a pronúncia, também foi iniciado o prazo para a interposição de recursos do Ministério Público do Acre (MP-AC) e da defesa dos suspeitos.
Investigação ampla e envolvimento de múltiplos acusados
A Polícia Civil confirmou que 15 pessoas já foram presas na investigação, e, ao todo, mais de 17 indivíduos participaram do homicídio. Ainda conforme a Justiça, há dois outros processos em andamento contra os demais envolvidos, incluindo acusados de participar por videochamada, que serão analisados e julgados posteriormente.
O delegado responsável pelo caso, Heverton Carvalho, destacou que os suspeitos, integrantes da facção, se irritaram com João Vitor devido ao seu envolvimento na abordagem policial cerca de um mês antes do assassinato. A abordagem foi filmada por populares, mostrando o jovem aplicando um 'mata-leão' em Gabriel Farias da Cruz, que foi imobilizado no Centro do município.
Detalhes do plano criminoso e execução da vítima
Conforme o boletim policial, após ser solto, Gabriel teria cobrado da facção criminosa uma punição pelo comportamento de João Vitor. "A cobrança por parte de Gabriel teria dado início às ações criminosas que levaram à morte da vítima", registra o documento.
João Vitor foi atraído por uma amiga, Maria Francisca Fernandes Lima, de 27 anos, que o levou até a facção criminosa. Ele foi conduzido em um carro de aplicativo até o bairro Cohab, onde foi brutalmente executado após ser submetido ao chamado 'tribunal do crime'.
Mãe da vítima aguarda julgamento e busca justiça
A auxiliar de serviços gerais Maria Verônica Borges da Silva, mãe de João Vitor, disse que se prepara psicologicamente para participar do júri popular. Após quase um ano, ela contou que pensa no filho diariamente e espera que os suspeitos sejam condenados.
"O julgamento é por causa da morte do meu filho. Eu quero participar para saber que tipo de tortura meu filho passou e o que levou a fazerem isso com ele", declarou emocionada.
O caso continua sob investigação, com expectativa de que novos desdobramentos surjam à medida que os processos judiciais avançam.