Técnicos de enfermagem são presos no DF por suspeita de matar três pacientes em hospital
Técnicos presos no DF por suspeita de matar pacientes em hospital

Técnicos de enfermagem são presos no DF por suspeita de homicídio de pacientes em UTI

Um caso chocante de violência no ambiente hospitalar está sob investigação no Distrito Federal, onde três técnicos de enfermagem foram presos sob a suspeita de matar pacientes internados. As vítimas, que incluem um jovem de 33 anos, faleceram após apresentarem pioras súbitas em suas condições de saúde, levantando alertas sobre a segurança nos cuidados médicos.

Detalhes das vítimas e o impacto nas famílias

Entre as vítimas está Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, que deixou para trás a mãe, a esposa e uma filha de apenas 5 anos. De acordo com o advogado da família, Vagner de Paula, em entrevista à TV Globo, os familiares estão desolados e sem conseguir falar, com a mãe de Marcos recorrendo a medicamentos para dormir devido ao trauma.

Marcos havia sido internado no Hospital Anchieta com suspeita de pancreatite, apresentando dores abdominais. Inicialmente, ele estava caminhando e conversando normalmente, sem histórico de problemas cardíacos. No entanto, após ser transferido para a UTI, sofreu uma parada cardíaca e foi entubado. Em 1º de dezembro de 2025, após 14 dias de internação, uma segunda parada cardíaca levou ao seu óbito.

As outras vítimas identificadas são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor público do Riacho Fundo I, e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, professora aposentada de Taguatinga. A diversidade de idades e perfis das vítimas chama a atenção para a gravidade do caso.

Investigação policial e detalhes dos crimes

Segundo as investigações da Polícia Civil, a segunda parada cardíaca de Marcos teria ocorrido após o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, aplicar um medicamento de forma irregular em sua corrente sanguínea. Ele teria cometido os crimes com a ajuda de duas técnicas: Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

Os três suspeitos estão presos desde 11 de janeiro, e as prisões ocorreram em operações que incluíram mandados de busca e apreensão em regiões como Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Uma segunda fase da operação, em 15 de janeiro, resultou na apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, além da prisão do terceiro suspeito.

As acusações são graves:

  • Pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três respondem por homicídio qualificado.
  • Pela morte de João Clemente Pereira, o técnico Marcos Vinícius e uma das técnicas respondem por homicídio qualificado.
  • Pela morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico Marcos Vinícius e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.

Imagens de câmeras de segurança da UTI mostraram que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora clínica das vítimas, reforçando as suspeitas. Em um dos casos, o técnico teria usado uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante na professora aposentada Miranilde.

Reação do Conselho de Enfermagem e ações legais

O Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren) informou que esteve no Hospital Anchieta e solicitou formalmente acesso às informações dos suspeitos, vídeos do circuito interno e ao inquérito policial. Em declaração à TV Globo, o conselho afirmou que não havia recebido denúncias anteriores sobre os profissionais e que abriu uma investigação própria após tomar conhecimento do caso.

Por outro lado, o advogado da família de Marcos, Vagner de Paula, anunciou que irá acompanhar o inquérito e entrar na justiça com um pedido de indenização contra o hospital, destacando a necessidade de responsabilização institucional.

Contexto e investigações em andamento

A diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, ressaltou que os pacientes tinham gravidades diferentes, mas a piora súbita em todos os casos chamou a atenção de médicos e investigadores. A Polícia Civil ainda apura se existem outros incidentes similares no Hospital Anchieta ou em outras unidades de saúde onde os suspeitos tenham atuado, ampliando o escopo das investigações.

Este caso levanta questões urgentes sobre a supervisão e a ética no setor de saúde, enquanto as famílias das vítimas aguardam justiça e respostas sobre as circunstâncias trágicas que levaram à perda de seus entes queridos.