Suzane von Richthofen e a herança do tio: disputa judicial e investigação de furto
A Polícia Civil de São Paulo está investigando uma denúncia de furto na residência do tio de Suzane von Richthofen, o médico Miguel Abdalla Neto, de 76 anos, que foi encontrado morto na sala da casa, localizada no bairro do Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados na noite de terça-feira, 20 de agosto, e constataram que o imóvel havia sido invadido. Alguns móveis, documentos e dinheiro foram levados pelos criminosos, e a perícia técnica foi imediatamente acionada para coletar evidências.
Disputa pela herança do médico
Desde a morte de Abdalla, ocorrida no dia 9 de agosto, uma intensa disputa judicial tem se desenrolado entre Suzane von Richthofen, conhecida nacionalmente por ter mandado matar os próprios pais em 2002, e uma prima do médico, Carmem Silvia Gonzalez Magnani, uma empresária de 69 anos. Ambas tentaram assumir a responsabilidade pela liberação do corpo, mas foi Carmem quem conseguiu a autorização junto às autoridades. Policiais relataram que nem Suzane nem a prima mantinham contato frequente ou uma relação amistosa com o falecido, o que adiciona complexidade ao caso.
A morte do médico está sendo investigada como suspeita, aguardando a liberação dos laudos da Polícia Técnico-Científica. No entanto, a principal hipótese considerada pelas autoridades é de morte natural por infarto. Enquanto isso, a questão da herança ganha destaque, já que Miguel Abdalla Neto não era casado oficialmente e não tinha filhos, deixando pelo menos dois imóveis valiosos: um sobrado no Campo Belo, onde foi encontrado morto, e um apartamento no mesmo bairro.
Direito sucessório e exclusão de Suzane
Pelo direito sucessório brasileiro, os sobrinhos têm direito à herança do tio na ausência de cônjuge, descendentes ou ascendentes. Nesse contexto, Suzane e seu irmão, Andreas von Richthofen, de 38 anos, precisariam ingressar com uma ação judicial para pleitear a herança. É importante ressaltar que Abdalla foi tutor de Andreas após os assassinatos dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, administrando seus bens até a maioridade. Ainda não há confirmação oficial sobre a existência de um testamento, o que poderia dificultar o acesso dos sobrinhos aos bens.
Em 2015, a Justiça de São Paulo oficializou a exclusão de Suzane da herança dos pais, decidindo que os bens, avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões, ficariam exclusivamente com Andreas. Esse precedente pode influenciar os desdobramentos atuais, embora o caso do tio seja distinto do ponto de vista legal.
Processo de união estável e reintegração de posse
Paralelamente, Carmem Magnani luta há mais de dois anos na Justiça pelo reconhecimento e dissolução de uma união estável com Miguel Abdalla Neto, alegando que viveram como casal entre 2011 e 2015. O médico, no entanto, sempre negou qualquer relacionamento amoroso com a prima. Meses antes de Carmem ingressar com a ação, Abdalla havia acionado a Justiça pedindo a reintegração de posse do apartamento onde ela morava, argumentando que a havia abrigado por favor devido a dificuldades financeiras.
Em 2024, a Justiça determinou que Carmem deixasse o imóvel, decisão que foi cumprida, e ordenou que ela pagasse um aluguel mensal de mais de R$ 4 mil pelo período em que residiu no local. O processo sobre a união estável ainda segue sem uma decisão final, o que pode impactar a disputa pela herança, dependendo do resultado.
Relembrando o caso Richthofen
O nome de Suzane von Richthofen voltou aos holofotes devido a essa nova disputa judicial, mas é fundamental recordar o crime que a tornou infame. Há 23 anos, em 2002, seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen, foram brutalmente assassinados na mansão da família, também localizada no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia conspirado com seu então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, para cometer os homicídios com golpes de barras de ferro, numa tentativa frustrada de simular um latrocínio.
Os três foram condenados pela Justiça em 2006, com Suzane e Daniel recebendo penas de 39 anos de prisão, e Cristian, 38 anos. Atualmente, todos cumprem o restante das penas em regime aberto. Suzane, que mudou seu nome para Suzane Louise Magnani Muniz após se casar em 2023, vive em Bragança Paulista com o marido e um filho, trabalhando com produção e venda online de acessórios.
Enquanto as investigações sobre o furto e a morte de Miguel Abdalla Neto prosseguem, a disputa pela herança promete gerar novos capítulos judiciais, envolvendo figuras notórias e questões complexas de direito sucessório e familiar. A ausência de respostas das partes envolvidas, incluindo Suzane e Carmem, deixa muitas perguntas em aberto, aguardando decisões da Justiça e conclusões policiais.