Empresário condenado por homicídio será transferido para São Paulo após captura na Bahia
A Polícia Civil de São Paulo formalizou um pedido à Justiça na última quinta-feira, dia 22, solicitando a transferência do empresário Sérgio Nahas do estado da Bahia para a capital paulista. O indivíduo, que estava foragido, foi detido na Praia do Forte, localizada no município de Mata de São João, aproximadamente 60 quilômetros distante de Salvador.
Detenção e circunstâncias da prisão
Durante a operação policial que resultou na sua captura, os agentes encontraram com Nahas 13 pinos de cocaína, três aparelhos celulares e um veículo da marca Audi. A identificação do empresário foi possível graças a um sistema de reconhecimento facial instalado na vila de Praia do Forte, onde ele se hospedava em um condomínio de luxo.
Mais de duas décadas após cometer o crime, Sérgio Nahas foi condenado inicialmente em 2018 pela Justiça de São Paulo. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a sentença e ainda aumentou a pena para 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado, emitindo o respectivo mandado de prisão.
Coordenação da transferência e posicionamento da defesa
A transferência do empresário para São Paulo será coordenada pelo Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP). A polícia paulista já estabeleceu os acertos necessários com a Polícia da Bahia, e a operação está prevista para ocorrer na próxima semana, desde que a Justiça autorize que Nahas cumpra a pena no território paulista, local onde o crime foi perpetrado.
Em contrapartida, a defesa de Sérgio Nahas, representada pela advogada Adriana Machado e Abreu, emitiu uma nota afirmando que enxerga "muitas falhas no processo" e classificou o caso como "um dos maiores exemplos de injustiça em nosso país". A defesa ressaltou que continuará utilizando todas as medidas jurídicas cabíveis, alegando que Nahas é uma pessoa idosa com graves problemas de saúde e que não tinha intenção de descumprir determinações judiciais.
Contexto histórico do crime
Sérgio Nahas é um empresário paulistano do setor têxtil e de confecções que ganhou notoriedade após o assassinato de sua ex-companheira, Fernanda Orfali, ocorrido em setembro de 2002. O crime aconteceu no apartamento do casal, localizado no bairro nobre de Higienópolis, no Centro de São Paulo.
Na época, Nahas tinha 38 anos, enquanto Fernanda contava com 28 anos. A arma utilizada no homicídio pertencia ao próprio empresário e não estava registrada junto às autoridades paulistas. O inquérito policial apontou que o assassinato ocorreu após uma discussão conjugal, desencadeada pela descoberta de que Nahas mantinha um caso extraconjugal e fazia uso de drogas.
Ao longo do processo, a defesa sustentou a tese de que Fernanda Orfali sofria de depressão e teria cometido suicídio. No entanto, laudos periciais contradisseram essa versão, ao não encontrarem vestígios de pólvora nas mãos da vítima, um elemento crucial em casos de suicídio por arma de fogo.
Desenvolvimentos processuais e fuga
Para a acusação, Nahas assassinou Fernanda porque se sentiu ameaçado após ela descobrir suas traições e uso de entorpecentes. A Promotoria também alegou que o empresário estava preocupado com a partilha de bens em um eventual pedido de divórcio.
O processo judicial se arrastou por muitos anos, durante os quais Nahas respondeu em liberdade enquanto recorria das decisões. A condenação inicial de 7 anos em regime semiaberto, proferida em 2018, foi alterada pelo STF para 8 anos e 2 meses em regime fechado. Após essa decisão, um mandado de prisão foi expedido, mas o empresário permaneceu foragido até ser capturado recentemente na Bahia.