Sérgio Nahas deixa presídio na Bahia e é transferido para São Paulo após condenação por assassinato
Sérgio Nahas é transferido para São Paulo após condenação

Sérgio Nahas deixa presídio na Bahia e é transferido para São Paulo após condenação por assassinato

O empresário Sérgio Nahas, condenado a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa em 2002, deixou o presídio na Bahia e foi transferido para São Paulo nesta sexta-feira (30). Ele desembarcou por volta das 15h no aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte da capital paulista, escoltado por uma delegada e uma investigadora da Polícia Civil.

Encaminhamento para penitenciária no interior de São Paulo

Após a chegada, Nahas foi encaminhado à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Centro de São Paulo. A polícia está providenciando documentos para que ele seja transferido ainda hoje para a penitenciária 2 de Potim, localizada no interior do estado. Antes disso, o empresário passará por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), conforme os procedimentos padrão para presos em transferência.

A transferência de Salvador para São Paulo foi autorizada pela Justiça paulista no início da semana e estava originalmente prevista para a quinta-feira (28). No entanto, o plano foi adiado devido a condições climáticas adversas, que impediram a decolagem do avião. Ao deixar o presídio na Bahia, Nahas afirmou que é inocente, mantendo a postura que adotou ao longo do processo judicial.

Contexto do crime e condenação

Sérgio Nahas, 61 anos, ficou conhecido nacionalmente pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, em setembro de 2002. O crime ocorreu no apartamento do casal no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo, após uma discussão motivada por descobertas de traições e uso de drogas pelo empresário, segundo as investigações.

Fernanda Orfali, que tinha 28 anos na época, foi morta com um tiro no peito. A defesa de Nahas tentou sustentar ao longo do processo que a vítima sofria de depressão e teria cometido suicídio, mas laudos periciais descartaram essa hipótese ao apontar a ausência de resíduos de pólvora nas mãos de Fernanda, um elemento considerado fundamental em casos de suicídio com arma de fogo.

Para a acusação, o empresário matou a esposa porque se sentiu ameaçado com a possibilidade de ela pedir divórcio e reivindicar a partilha dos bens. A perícia indicou que a vítima se trancou num closet para se proteger, mas Nahas teria arrombado a porta e efetuado dois disparos, sendo que o primeiro atingiu Fernanda e o segundo atravessou a janela do apartamento.

Longo processo judicial e fuga

Sérgio Nahas respondeu ao processo em liberdade durante anos, enquanto apresentava recursos contra decisões judiciais. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo o condenou a sete anos de prisão em regime semiaberto pelo homicídio. A defesa recorreu, e o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2025, a Corte confirmou a condenação e aumentou a pena para oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, por unanimidade. Após a decisão, a Justiça paulista expediu mandado de prisão, mas Nahas permaneceu foragido até ser preso em 17 de janeiro deste ano na Praia do Forte, em Mata de São João, no litoral norte da Bahia, após sete meses em fuga.

Agora, com a transferência concluída, ele cumprirá a pena em regime fechado na penitenciária de Potim, encerrando um capítulo de mais de duas décadas desde o crime que chocou o país e mobilizou o sistema judiciário brasileiro.