Síndico é preso suspeito de matar moradora de prédio em Caldas Novas, GO
A Polícia Civil prendeu temporariamente o síndico Cléber Rosa de Oliveira e seu filho Maicon Douglas de Oliveira, suspeitos do homicídio e ocultação de cadáver da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas. Apesar das alegações do síndico de que não houve planejamento, a polícia avalia que há fortes indícios de premeditação no crime, conforme apresentado em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (28).
Conflitos históricos e marco temporal relevante
De acordo com as investigações, os atritos entre Cléber e Daiane começaram em 2024, após a família da corretora retirar dele a administração de seis apartamentos do prédio. Desde então, houve registros de conflitos judiciais e procedimentos policiais entre as partes. Um ponto crucial destacado pelos delegados foi uma decisão judicial favorável à Daiane, com trânsito em julgado em 11 de dezembro de 2025, apenas seis dias antes de seu desaparecimento. A sentença garantiu à corretora acesso às áreas comuns do prédio, reconheceu abusos cometidos pela administração e determinou indenizações por danos morais e materiais. Para a polícia, esse marco temporal reforça a hipótese de premeditação, sugerindo que o crime pode ter sido motivado por vingança ou retaliação.
Dinâmica do crime e suspeitas de planejamento
A investigação revela que Daiane desceu ao subsolo do prédio após perceber que apenas seu apartamento estava sem energia. Ela gravou e enviou vídeos a uma amiga registrando o problema, mas um terceiro vídeo foi gravado e não enviado. O local dos disjuntores é um ponto cego do sistema de câmeras, fato conhecido pelo síndico, que já havia usado a prática de desligar padrões de energia para criar conflitos em outras situações. A análise das imagens indica que o crime ocorreu em um intervalo de cerca de oito minutos, sem a presença de outras pessoas, o que demonstra conhecimento detalhado da rotina e acessos do prédio. Esses elementos, somados ao histórico de conflitos, levam a polícia a crer que a ação foi premeditada e não impulsiva.
Versão do síndico e andamento da investigação
Durante o depoimento, Cléber afirmou que o crime ocorreu após um atrito no subsolo, sem planejamento, mas optou por permanecer em silêncio ao ser questionado sobre a dinâmica da morte. A Polícia Civil, no entanto, sustenta que o conjunto de provas aponta para uma ação pensada previamente. A prisão temporária foi decretada por 30 dias, com possibilidade de prorrogação. Novas diligências e laudos periciais estão em andamento para esclarecer definitivamente a dinâmica do homicídio e a extensão da participação do filho do síndico, preso por suspeita de obstrução da investigação. O corpo de Daiane foi encontrado em uma área de mata após mais de 40 dias de desaparecimento, desde 17 de dezembro de 2025, aumentando a gravidade do caso e a urgência das investigações.