Justiça torna réu homem que confessou triplo homicídio de mulheres em Ilhéus
A Justiça da Bahia aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado (MP-BA) e tornou réu o homem que confessou ser responsável pelo triplo homicídio ocorrido na cidade de Ilhéus, no sul do estado. A decisão foi divulgada pelo órgão nesta terça-feira (20), um dia após ser proferida, marcando um passo crucial no processo judicial.
Prisão preventiva e contexto do crime
Além de aceitar a denúncia, a Justiça determinou a prisão preventiva de Thierry Lima da Silva, que já estava detido por tráfico de drogas. O crime envolveu as vítimas Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, 41 anos, e Mariana Bastos da Silva, 20 anos, encontradas mortas com marcas de facadas em 16 de agosto de 2025, em uma área de mata da Praia dos Milionários, destino turístico da região.
O inquérito sobre o caso foi concluído em dezembro do ano passado, quatro meses após o crime, com o indiciamento do suspeito. Thierry confessou ter matado as três mulheres sozinho, em meio a uma tentativa de assalto, dez dias após o ocorrido. A polícia chegou a pedir a prorrogação do prazo de entrega da investigação duas vezes, evidenciando a complexidade do caso.
Evidências e desafios na investigação
Apesar da confissão, os peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) enfrentaram desafios nas análises forenses. Não foi encontrado material genético do suspeito nas unhas e nas partes íntimas das mulheres, nem DNA dele ou das vítimas nas três facas apreendidas após o crime. No entanto, isso não descarta sua participação, conforme destacado pelas autoridades.
Em nota, a Polícia Civil informou que o indiciamento foi fundamentado por:
- Diligências de campo extensivas
- Análise de imagens de câmeras de segurança
- Exames periciais detalhados
- Oitivas de familiares e testemunhas
- Coleta de outros elementos probatórios
O caso corre em segredo de Justiça, conforme afirmou o MP-BA, o que limita a divulgação pública de detalhes específicos.
Detalhes do crime e mobilização social
As vítimas eram conhecidas na comunidade: Alexsandra e Maria Helena eram amigas, vizinhas e trabalhavam em unidades de ensino da rede municipal, enquanto Mariana, filha de Maria Helena, estudava Engenharia Ambiental. Todas moravam em condomínios a cerca de 200 metros da praia.
No dia 15 de agosto de 2025, as mulheres saíram para passear com o cachorro de estimação de Mariana na Praia dos Milionários. Câmeras de segurança registraram parte do passeio, mostrando-as caminhando lado a lado pela areia, com Mariana segurando a coleira do animal. Elas chegaram a cruzar com outras duas pessoas que se exercitavam na praia antes de desaparecerem, sendo encontradas mortas no dia seguinte.
As mortes motivaram pelo menos três protestos pacíficos em Ilhéus, com moradores pedindo justiça e a presença de policiais militares para garantir a ordem. Homenagens foram deixadas no local do crime, refletindo o impacto na comunidade.
Confissão e investigações complementares
Após ser preso em 25 de agosto, Thierry Lima da Silva disse, em depoimento à polícia, que agiu sozinho e esfaqueou as vítimas ao tentar assaltá-las. Durante a audiência de custódia, ele admitiu o triplo homicídio e também revelou ter matado um companheiro após uma briga por ciúmes, ampliando o escopo das investigações.
Para reconstruir o contexto do crime, cerca de 700 vídeos da região foram analisados pelo Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto, do DPT, em Salvador. O objetivo era identificar a dinâmica da ação e corroborar as evidências coletadas.
Com a decisão judicial, o caso avança para a fase de julgamento, enquanto a comunidade aguarda por respostas e justiça para as famílias das vítimas. A complexidade das evidências e a confissão do acusado continuam a ser pontos centrais neste processo criminal que chocou a região.