Piloto Pedro Turra é preso preventivamente por agredir adolescente no DF
O piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi preso preventivamente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal nesta sexta-feira, dia 30. A prisão ocorre após uma investigação que revelou um padrão de comportamento violento, conforme afirmou o delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia.
Perfil sociopata traçado pela polícia
O delegado Pablo Aguiar destacou que a investigação sobre a agressão que deixou um adolescente de 16 anos em coma permitiu à Polícia Civil traçar o que ele classificou como "perfil sociopata" do piloto. Segundo Aguiar, esse comportamento foi identificado a partir de novos depoimentos de vítimas que procuraram a delegacia após a repercussão do caso.
"O sociopata é exatamente aquele indivíduo que sabe da gravidade da lesão, grava um vídeo pedindo perdão que qualquer um vê que não é um vídeo com sentimento do coração", disse o delegado, em referência ao vídeo em que o acusado pede perdão à família do jovem em coma.
Detalhes da agressão inicial
Na última sexta-feira, dia 24, Pedro Turra se envolveu em uma confusão com um adolescente de 16 anos na porta de um condomínio em Vicente Pires. A briga começou por conta de uma brincadeira, em que Pedro jogou um chiclete mascado em outro jovem. Após as agressões, o adolescente agredido teve de ser internado e, desde sábado, dia 25, está em sedação máxima e sem perspectiva de alta.
Turra chegou a ser preso no dia seguinte, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola.
Novas denúncias e padrão de violência
Ao todo, foram registrados quatro boletins de ocorrência contra Turra. O delegado mencionou a denúncia de um homem de 49 anos que contou à polícia que, após um acidente de trânsito em Águas Claras, foi agredido por Pedro Turra.
"Não que ele é psicopata, que ele mate por prazer não. O sociopata é exatamente a pessoa que dá um tapa na cara de um senhor de 49, 50 anos e vai pra casa se vangloriar com os amigos de ter agredido um indivíduo mais velho", afirmou Pablo Aguiar.
Casos de tortura e intimidação
De acordo com o delegado, uma jovem que conviveu com o suspeito denunciou ter sofrido agressões com uso de taser. "Chega a vítima aqui: 'doutor, ele descarregou um taser em mim, me deu choque até o aparelho acabar'. E eu perguntei: 'como ele ficava?'. 'Ficava rindo'", relatou Aguiar.
A menina contou também que foi obrigada pelo piloto a ingerir bebida alcoólica. O delegado afirmou que o depoimento, colhido novamente nesta semana, foi decisivo para compreender a forma como o investigado tratava outras pessoas. "Eu considero um sociopata ou uma pessoa que não tem condição nenhuma pra estar convivendo em sociedade", completou Aguiar.
Operação policial e apreensões
A Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Turra. Foram apreendidos itens como facas, soco inglês e objetos que ele usaria para amedrontar vítimas, conforme informou a corporação.
Depoimento do acusado e versão dos fatos
O depoimento de Pedro Turra à Polícia Civil, logo após ser preso em flagrante, durou pouco menos de 4 minutos. À polícia, o piloto narrou que estava com amigos em um carro e que só foi ao condomínio em Vicente Pires porque um desses amigos queria encontrar uma ex-namorada no local.
"Eu e meus amigos, a gente tem uma brincadeira de ficar jogando chiclete nos outros. Eu joguei no Luquinhas, a gente ficou rindo, e alguém falou: 'foi quase no Rodrigo'", narrou Turra. Rodrigo, mencionado nessa parte do depoimento, é o adolescente que se envolveu na agressão e foi hospitalizado.
"E aí, ele [Rodrigo] já falou: 'Se fosse em mim, eu ia quebrar na porrada'. E eu achei que ele estava brincando, porque antes ele estava brincando comigo. A gente estava lá conversando e tudo. Aí, eu desci do carro e falei 'então fala na minha cara'", seguiu Turra. "Ele falou na minha cara e eu dei uma empurrada nele, porque estava muito perto. Ele veio para dar um soco em mim, aí começou. Nos vídeos, você vê que eu estava tentando apartar, só que ele não parava. Aí, eu tive que... se não, ele não ia parar", completou em seu relato.
Estado da vítima e impacto familiar
O tio do jovem agredido, o fisioterapeuta Flavio Henrique Torminn Fleury, afirmou em entrevista coletiva – poucas horas antes da prisão – que a vida de toda a família parou desde que o adolescente foi internado. O adolescente continua em coma e em estado crítico, sem previsão de melhora.
Contexto e próximos passos
A investigação continua, com a polícia analisando vídeos de câmeras de segurança e coletando mais depoimentos. Outros amigos de Pedro Turra que estavam no local também falaram à Polícia Civil como testemunhas, com alguns mencionando a possível presença de um canivete, item que não aparece nos vídeos obtidos até o momento.
O caso tem gerado grande comoção pública no Distrito Federal, levantando discussões sobre violência juvenil e a responsabilidade de figuras públicas. A prisão preventiva de Turra marca um ponto crucial no processo, com as autoridades enfatizando a gravidade dos atos e o perfil comportamental identificado.