MP-PR denuncia homem por homicídio triplamente qualificado em academia de Londrina
MP denuncia por homicídio em academia de Londrina

MP-PR denuncia homem por homicídio triplamente qualificado em academia de Londrina

Nesta terça-feira (20), o Ministério Público do Paraná (MP-PR) confirmou que ofereceu denúncia contra Lucas Wancler Ferreira dos Santos pelo homicídio de David Schmidt Prado, de 37 anos. A denúncia inclui a solicitação de que ele pague 100 salários mínimos à família da vítima, o que representa aproximadamente R$ 162 mil, a título de reparação dos danos causados.

Crime filmado em estacionamento de academia

O crime ocorreu em uma academia de Londrina, no norte do estado, e foi registrado por câmeras de segurança. Segundo o MP, a denúncia é por homicídio triplamente qualificado, com base em motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A denúncia, que está sob sigilo, foi encaminhada à Justiça, que decidirá se Lucas se tornará réu e se as solicitações do MP serão mantidas.

Lucas está preso preventivamente desde a audiência de custódia, realizada no dia 6 de janeiro, um dia após o assassinato. A polícia apurou que o crime foi motivado por ciúmes, envolvendo um relacionamento passado da esposa de Lucas com a vítima.

Detalhes da emboscada e ação do policial militar

Conforme o relatório da Polícia Civil, as imagens das câmeras mostram Lucas sentado no estacionamento da academia, mexendo no celular, às 18h41 do dia 5 de janeiro. Quando David passou por ele, saindo do treino, Lucas se levantou e escondeu uma faca atrás do corpo enquanto se aproximava.

Os dois conversaram brevemente antes de David ser ferido pelo primeiro golpe. Ele tentou fugir, mas foi atingido cinco vezes: quatro enquanto estava no estacionamento e uma depois de pular a catraca e buscar ajuda dentro da academia.

O relatório da polícia cita que, enquanto David clamava por socorro e atendimento médico, Lucas ficou observando por vários segundos o sofrimento imposto, sem prestar qualquer auxílio. Um policial militar de folga, que estava treinando na academia, rendeu Lucas e impediu que as agressões continuassem.

Em depoimento, o policial militar explicou que inicialmente pensou ser um assalto, mas ao ver a gravidade da situação, sacou sua arma e imobilizou Lucas. Ele relatou que questionou o autor sobre o motivo das agressões, e Lucas respondeu que a vítima tinha mexido com sua mulher.

Vítima não resistiu aos ferimentos

O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi à academia, mas David não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo da vítima foi levado pela Polícia Científica de Londrina. A Polícia Militar (PM-PR) esteve no estabelecimento, conduziu Lucas à delegacia e apreendeu a faca usada no homicídio.

O delegado Magno Miranda informou, no dia 14 de janeiro, que a causa da morte de David ficou confirmada como hemorragia aguda por ferimentos provocados por instrumento pérfuro-cortante.

Motivação baseada em ciúmes e revolta

Lucas e David não se conheciam pessoalmente, de acordo com a investigação da polícia. Entretanto, o autor e a vítima conversaram por telefone quatro meses antes do homicídio, após a esposa de Lucas contar a ele que se relacionou brevemente com David.

Isso ocorreu enquanto Lucas e sua esposa estavam em processo de divórcio, vivendo em casas separadas. O delegado Miranda explicou que a motivação está diretamente ligada a uma revolta pela descoberta do fato, mesmo que David e a mulher não estivessem mais se encontrando ou mantendo contato há quatro meses.

Perfil da vítima e reação da família

David Schmidt Prado tinha 37 anos e deixou um filho de seis anos. Ele trabalhava no setor administrativo de uma rede de postos de combustíveis em Londrina. Sua família é de Cornélio Procópio, cidade a 67 quilômetros de distância, onde ocorreu o sepultamento.

Ele estava em um relacionamento há três meses com Jheniffer Balardi, que esclareceu não conhecer Lucas e não estar envolvida na suposta motivação por ciúmes. Segundo Jheniffer, David sempre foi transparente e não deu a entender que estava sendo ameaçado.

Posição da defesa do acusado

A defesa de Lucas, representada pela advogada Thais Indiara Pereira dos Santos, afirmou que não irá se manifestar no momento sobre o indiciamento, ressaltando que o procedimento investigatório ainda será submetido à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário. A defesa se comprometeu a exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, nos termos da lei.