Polícia e Cremesp investigam médica que declarou morte de mulher viva em Bauru
Médica do Samu erra atestado de óbito em Bauru; polícia investiga

Polícia e Cremesp abrem investigações sobre erro médico em atestado de óbito em Bauru

Um caso grave de erro médico está sendo investigado em Bauru, no interior de São Paulo, após uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atestar a morte de uma mulher que, na verdade, estava viva. A vítima, Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos, foi atropelada na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) no domingo (18) e, minutos depois, reanimada por um médico de uma concessionária, que percebeu sinais vitais.

Investigações em andamento

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta da médica, mantendo sigilo conforme determina a lei, sem divulgar a identidade da profissional. Paralelamente, a Polícia Civil iniciou um inquérito para investigar o atropelamento e uma possível omissão de socorro, devido ao erro no atestado de óbito. O delegado Eduardo Herrera, responsável pelo caso, afirmou que a apuração vai abranger toda a dinâmica, desde o acidente até eventuais negligências.

Detalhes do incidente

Após o atropelamento, a equipe do Samu chegou ao local, constatou o óbito e deixou a área antes da chegada da polícia, interditando a rodovia e acionando o Instituto Médico Legal para remoção do corpo. Testemunhas e a mãe da vítima questionaram o estado de Fernanda durante o atendimento, enquanto os socorristas a cobriam com uma manta térmica. Pouco depois, um médico da concessionária notou que a jovem ainda respirava e iniciou manobras de reanimação, salvando-a.

Consequências e estado da vítima

A médica envolvida foi afastada das atividades na segunda-feira (19) como medida administrativa preventiva, conforme confirmado pela Secretaria de Saúde de Bauru, e também está sob sindicância interna do Samu. Não há prazo definido para o término das investigações. Enquanto isso, Fernanda foi levada ao Pronto-Socorro Central de Bauru e transferida para o Hospital de Base, onde permanece internada em estado grave, mas com estabilidade clínica. Segundo o último boletim, divulgado nesta quinta-feira (21), ela está em ventilação mecânica, com redução gradual de sedativos, e pode ser extubada nos próximos dias.

Posicionamento das autoridades

A Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu no município, emitiu nota informando que apura os fatos e tomará providências caso sejam constatadas irregularidades. A gerente regional do Samu, Mariah Reinato Ferrão, explicou à TV TEM que, inicialmente, a médica avaliou a vítima e não identificou pulsação, o que levou ao erro. O caso destaca falhas críticas em protocolos de emergência e levanta questões sobre a responsabilidade profissional em situações de vida ou morte.