Líder religioso de 76 anos é julgado por violação sexual no Tribunal de Justiça do Rio
Paulo Roberto Silva e Souza, de 76 anos, líder da igreja Santo Daime Céu do Mar, localizada em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, começou a ser julgado nesta terça-feira (27) pelo crime de violação sexual contra ex-seguidoras. O processo está sendo conduzido no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), situado no Centro da cidade, e marca um capítulo significativo na investigação de alegações graves envolvendo abusos dentro de um contexto religioso.
Acusações detalhadas e revelação do caso
O caso veio à tona em dezembro, após uma reportagem do jornal O Globo, que expôs as acusações contra Paulo Roberto. Ele é formalmente acusado de violação sexual mediante fraude e violência psicológica contra Jéssica Nascimento de Sousa, sua antiga assistente pessoal. A investigação jornalística identificou ainda outras cinco mulheres que alegam terem sido vítimas do líder religioso, ampliando o escopo das denúncias e destacando um padrão de comportamento abusivo.
As alegações incluem não apenas atos sexuais não consensuais, mas também manipulação emocional e coerção, elementos que complicam o quadro jurídico e social do caso. O Ministério Público do Rio (MPRJ), quando contactado, limitou-se a informar que o caso está sob sigilo, reforçando a sensibilidade e a complexidade das investigações em andamento.
Medidas cautelares e impacto na comunidade
Em resposta às acusações, Paulo Roberto Silva e Souza foi afastado de suas funções na igreja Santo Daime Céu do Mar, uma medida que visa proteger a integridade da comunidade religiosa. Além disso, ele teve que entregar seu passaporte e está proibido de sair do Brasil, restrições impostas pela Justiça para garantir sua presença durante o julgamento e prevenir qualquer tentativa de fuga.
O julgamento no TJRJ não apenas busca justiça para as vítimas, mas também levanta questões mais amplas sobre a responsabilidade de líderes religiosos e a proteção de fiéis em ambientes de confiança. A comunidade de São Conrado e além acompanha atentamente os desdobramentos, refletindo sobre os impactos sociais e legais de tais crimes.
Este caso serve como um alerta para a necessidade de vigilância e denúncia em situações de abuso, especialmente em contextos onde o poder e a influência podem ser usados para silenciar vítimas. A cobertura contínua da mídia e a ação judicial são passos cruciais na busca por transparência e justiça.