A Polícia Civil do Maranhão efetuou a prisão de Otávio Vitor, irmão da influenciadora digital Tainá Sousa, na tarde desta segunda-feira (2), em São Luís. A detenção ocorreu após o investigado descumprir uma decisão judicial que proibia expressamente o uso de redes sociais. Otávio Vitor, assim como sua irmã Tainá Sousa, é um dos investigados por integrar uma organização criminosa responsável pela promoção de jogos de azar e pela lavagem de dinheiro proveniente dessas atividades ilegais.
Descumprimento de medida cautelar leva à prisão preventiva
Conforme informações da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), a Justiça determinou a prisão preventiva de Otávio Vitor depois que ele ignorou, de forma repetida e consciente, a medida cautelar imposta. Mesmo ciente da proibição, o investigado continuou publicando conteúdos sobre sua rotina pessoal nas plataformas digitais. Após o cumprimento do mandado de prisão, ele foi conduzido à sede da Seic, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. Em seguida, Otávio Vitor foi encaminhado para uma unidade prisional da capital maranhense, onde permanecerá à disposição do Poder Judiciário.
Operação investiga esquema criminoso ligado ao 'Jogo do Tigrinho'
Otávio Vitor e Tainá Sousa, além de outros três influenciadores – Maria Angélica, Otávio Filho e Neto Duailibe – foram alvos de uma operação da Polícia Civil em julho do ano passado. A investigação aponta suspeitas de que os acusados utilizavam as redes sociais para divulgar o 'Jogo do Tigrinho', atraindo vítimas por meio de promessas enganosas de lucros rápidos e elevados. Também estão sob investigação uma advogada, que supostamente era encarregada pela lavagem de dinheiro, um policial militar e outro homem.
Como parte das medidas judiciais decorrentes da operação, foi determinado o bloqueio de R$ 11.424.679,00 pertencentes aos investigados. Além disso, foram sequestrados e apreendidos uma moto aquática e veículos de luxo, incluindo modelos como Range Rover Velar, Range Rover Evoque, BMW e Toyota Hilux.
Histórico de prisões e processos envolvendo Tainá Sousa
Em agosto de 2025, Tainá Sousa chegou a ser presa sob a suspeita de chefiar o grupo criminoso e elaborar uma 'lista de execução'. A investigação indicou que a influenciadora teria feito uma lista com nomes de autoridades públicas e profissionais da imprensa que estariam marcados para morrer. Segundo a Polícia, os citados atuam de forma ativa no combate aos jogos ilegais, especialmente o popular “Jogo do Tigrinho”, o que teria motivado os planos da influenciadora.
Um mês depois, a Justiça do Maranhão concedeu habeas corpus para Tainá Sousa, argumentando que não havia provas suficientes que justificassem a manutenção da prisão. A Polícia Civil ressalta que Tainá já responde a processos judiciais por outros crimes. Em uma ação criminal, ela figura como ré por furtos continuados, após usar um cartão de crédito pertencente a uma pessoa falecida para realizar diversas compras no mesmo dia do óbito. Ela confessou os crimes e firmou acordo de não persecução penal, tendo o processo sido suspenso provisoriamente.
Estrutura e funcionamento da organização criminosa
As investigações da Superintendência Estadual de Investigações Criminais revelam que a organização criminosa, liderada por Tainá Sousa e atuante em São Luís, utilizava as redes sociais para divulgar o jogo de azar conhecido como “Tigrinho”. De acordo com a polícia, o grupo atraía vítimas com promessas enganosas de ganhos rápidos e altos. Os seguidores eram incentivados a se cadastrar e a fazer depósitos em plataformas de caça-níqueis virtuais.
As plataformas eram administradas por pessoas que contratavam influenciadores digitais para ampliar a divulgação e dar aparência de credibilidade ao esquema. A investigação aponta que a organização era formada por:
- Influenciadores responsáveis pela promoção dos jogos
- Uma gerente que coordenava um grupo de WhatsApp para captar jogadores e vítimas em nome da líder
- Pessoas encarregadas de lavar o dinheiro obtido de forma ilegal
- Um grupo armado que fornecia proteção ao esquema criminoso
Organograma detalhado da quadrilha
No decorrer das investigações da Operação Dinheiro Sujo, a polícia afirma ter descoberto como funcionava o esquema para ganhar dinheiro de forma ilegal e montou o organograma da quadrilha. A estrutura era dividida em três núcleos principais:
- 1º Núcleo: Responsável por divulgar o jogo e atrair vítimas dentre os seguidores. Composto por:
- Influenciadora Tainá Sousa - Líder do grupo criminoso
- Vitor Lima, irmão de Tainá
- Neto Duailibe, ex-namorado de Tainá
- Isabela Thalita Nascimento Gonçalves e Marília Dutra
- 2º Núcleo: Responsável pela lavagem de dinheiro com a compra de imóveis e investimentos bancários. Composto por:
- Tainá Sousa
- Maria Angélica Roxo Lima - Advogada de Tainá Sousa
- Otávio Teodósio Filho - Pai de Tainá Sousa
- Vitor Lima, irmão de Tainá
- Neto Duailibe, ex-namorado de Tainá
- 3º Núcleo: Responsável pela segurança do grupo, o que incluía policiais militares e outros seguranças que realizavam o trabalho pela influenciadora de forma irregular. Composto por:
- Um homem identificado apenas como 'Davi'
- Maria Angélica Roxo Lima - Advogada de Tainá Sousa
- Lauanderson Silva Salazar - Policial militar
Além de Tainá, a Polícia Civil indiciou sete pessoas investigadas por lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionada à divulgação do 'Jogo do Tigrinho' em São Luís, tendo como principal alvo a influenciadora digital Tainá Sousa.