Imagens de câmeras contradizem depoimento de professora em caso de homicídio em Bebedouro
Imagens contradizem depoimento de professora em caso de homicídio

Imagens de segurança revelam contradições no depoimento de professora em caso de homicídio em Bebedouro

Novas imagens de câmeras de segurança, enviadas à Polícia Civil de Bebedouro, no interior de São Paulo, apontam graves contradições no depoimento da professora de estética Jussara Luzia Fernandes. As gravações mostram que ela estava em casa antes da morte do marido, Walter Carneiro, em 26 de janeiro, contrariando sua versão inicial de que não estava no local.

Sequência de eventos contradiz versão da acusada

As imagens, capturadas por um sistema de monitoramento em uma residência na mesma rua do bairro Eldorado, detalham uma sequência de eventos que desafia o relato de Jussara. Segundo a polícia, as gravações indicam que:

  • Às 8h07, Jussara é vista saindo de casa, embora ela tenha afirmado em depoimento que saiu por volta das 6h30.
  • Às 9h00, ela retorna à residência, enquanto em seu testemunho disse ter voltado entre 9h20 e 9h40.
  • Às 9h11, a professora deposita um saco de lixo na lixeira em frente à própria casa.
  • Às 9h21, ela retira esse lixo e o coloca na lixeira da casa vizinha.
  • Às 9h30, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência chega ao local, acionada pela própria Jussara.

Essas informações foram destacadas pela advogada Isabela Feloni, que defende a família de Walter. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, ela argumentou que as imagens podem servir como prova de que Jussara mentiu ao afirmar que encontrou o marido morto após retornar para casa.

Suspeitas de ocultação de provas e possível doping

A advogada suspeita que a troca de lixo entre as lixeiras possa indicar uma tentativa de ocultação de provas. Nós acreditamos que poderia ser uma ocultação de provas, disse Feloni. Como ela que acionou o Samu, a polícia esteve no local, foi periciado, pode ser que algum policial pudesse se atentar a essa questão do lixo colocado na lixeira dela.

Além disso, Feloni levantou a hipótese de que Jussara possa ter dopado Walter antes de sua morte. Acredito que ela deve ter pensado 'se forem mexer no meu lixo, não vai estar no meu, vai estar no da vizinha e ninguém vai mexer na lixeira da vizinha', explicou. Isso é o que mais nos intriga, principalmente, porque os dois casos onde a Jussara está sendo investigada por homicídio, tanto do Walter, quanto do Alex Sandro, a gente já tem a suspeita de que eles estavam dopados de algum remédio.

Contexto dos casos envolvendo Jussara Fernandes

O caso de Walter Carneiro, encontrado morto dentro da piscina de sua casa, inicialmente foi tratado como afogamento. No entanto, a investigação ganhou novos contornos após Jussara confessar outro crime: o homicídio do namorado Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, ocorrido em outubro. Ela admitiu ter matado Alex a tesouradas e enterrado o corpo no quintal da residência.

Devido a essa confissão, a morte de Walter passou a ser investigada como homicídio. Familiares relataram que Walter apresentou piora no estado de saúde antes de morrer, com sintomas como vômito e sonolência, semelhantes aos suspeitos no caso de Alex. Ambos as vítimas tinham intenções de se separar de Jussara, mas se sentiam ameaçados, de acordo com testemunhas.

Jussara já é ré no processo que investiga a morte de Alex Sandro, respondendo por homicídio triplamente qualificado. A defesa da professora não se manifestou sobre as novas imagens até o momento da publicação desta reportagem, e a Secretaria de Segurança Pública ainda não emitiu um posicionamento oficial.

As contradições reveladas pelas câmeras de segurança reforçam as suspeitas da polícia e da acusação, colocando em xeque a credibilidade do depoimento de Jussara Fernandes em um caso que continua a evoluir nas investigações.