Idosa de 76 anos é enterrada em Bauru após ser encontrada morta em poço após um mês desaparecida
Idosa encontrada morta em poço é enterrada em Bauru após um mês

Idosa de 76 anos é sepultada em Bauru após corpo ser encontrado em poço após um mês desaparecida

Foi realizado nesta sexta-feira (23) o enterro de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, no Cemitério do Ypê, em Bauru (SP). A cerimônia contou com a presença de familiares e amigos, marcada por emoção e revolta diante da violência sofrida pela idosa, cujo corpo foi localizado em um poço após mais de 20 dias de buscas intensas.

Desaparecimento e descoberta do corpo

Dagmar estava desaparecida desde o dia 19 de dezembro, mas o caso passou a ser investigado oficialmente apenas no dia 22 de dezembro, após o registro de um boletim de ocorrência. As buscas na propriedade rural onde ela morava, um sítio em Bauru, duraram 23 dias, com escavações que atingiram cerca de 30 metros de profundidade em um poço desativado, conhecido como poço caipira.

O corpo foi encontrado na tarde de quarta-feira (21), apresentando uma lesão no crânio que indica que a idosa pode ter sido agredida antes de ser jogada no local. A perícia do Instituto Médico Legal (IML) não encontrou vestígios de terra ou detritos no corpo, sugerindo que Dagmar já estava sem vida quando foi lançada no poço.

Prisões e investigações

Dois suspeitos estão presos pelo crime: Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40 anos. Eles trabalhavam e moravam na mesma propriedade de Dagmar e, segundo a Polícia Civil, confessaram informalmente ter agredido a idosa com uma paulada na cabeça e depois jogado o corpo no poço.

O delegado Alexandre Protopsaltis, responsável pelo caso, destacou que a localização do corpo foi fundamental para confirmar a tese investigativa, tratando o crime inicialmente como latrocínio, com possível motivação financeira, já que a relação envolvia repasses frequentes de bens e dinheiro. A Polícia Civil também investiga um possível envolvimento do filho do casal, um adolescente de 14 anos que está sob acompanhamento do Conselho Tutelar de Avaré (SP).

Operação complexa de resgate

As escavações no poço começaram em 30 de dezembro e enfrentaram diversas dificuldades. Para garantir a segurança das equipes e permitir o acesso de maquinário pesado, foi necessário ampliar o diâmetro da abertura, o que levou à demolição da casa de Dagmar. Além disso, os bombeiros tiveram que lidar com sacos de adubo jogados sobre o corpo para mascarar o odor da decomposição.

A retirada do corpo durou quase três horas e envolveu cerca de 30 pessoas, incluindo 12 bombeiros, que desceram de rapel no poço e enfrentaram riscos como deslizamento de terra, possível presença de gases tóxicos e uma camada espessa de argila formada após as chuvas.

Enterro e repercussão

O sepultamento de Dagmar foi um momento de luto e indignação para os presentes. A violência do crime, combinada com a demora na localização do corpo, gerou comoção na comunidade local. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura os detalhes do latrocínio e da ocultação de cadáver.

Este triste episódio em Bauru reforça a importância de agilidade nas investigações de desaparecimentos e a necessidade de medidas de segurança para idosos em áreas rurais, destacando os desafios enfrentados pelas autoridades em operações de resgate em locais de difícil acesso.