Funcionária de padaria é acusada de planejar roubo ao próprio local de trabalho em Presidente Prudente
A Polícia Militar realizou a prisão de dois jovens adultos, com idades de 21 e 19 anos, e a apreensão de um adolescente de 17 anos, todos suspeitos de praticar um roubo em uma padaria localizada na Vila Industrial, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O crime ocorreu na noite de quinta-feira, dia 28, e teve uma reviravolta surpreendente: entre os detidos está uma funcionária do próprio estabelecimento, apontada como a principal orientadora da ação criminosa.
Detalhes do crime e a participação da funcionária
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, a PM foi acionada para atender a um roubo praticado por dois indivíduos. Os suspeitos utilizavam blusas de moletom e simulavam estar armados, mantendo as mãos sob a roupa durante a abordagem. Durante o assalto, um aparelho celular foi levado, e a dupla fugiu em uma motocicleta preta sem placa de identificação.
Durante as buscas realizadas pela polícia, os agentes localizaram, na garagem de uma residência na Vila Mendes, uma moto preta sem placa que correspondia às características descritas pelas vítimas. Ao lado do veículo, um rapaz estava tirando uma blusa de moletom. Ao perceber a presença da viatura policial, ele correu para dentro da casa e foi encontrado no banheiro, simulando estar tomando banho. O suspeito foi identificado como um adolescente de 17 anos.
Confissão do adolescente e o planejamento por mensagens
Antes mesmo de ser questionado pelos policiais, o adolescente afirmou que “não era roubo, mas uma brincadeira”. Em seguida, ele relatou que a ação havia sido combinada com uma balconista da padaria, que teria planejado minuciosamente a dinâmica do crime e indicado o momento mais adequado para a abordagem.
Segundo o depoimento do adolescente, ele e um comparsa de 19 anos foram até o local do crime. Com o adolescente portando uma faca, anunciaram o assalto a três pessoas que estavam na rampa de acesso, incluindo a própria funcionária envolvida. Inicialmente, três celulares foram apreendidos, mas dois deles foram devolvidos após uma reação de padeiros, que avançaram contra a dupla armados com facas. Na fuga, apenas o celular de outro funcionário foi levado, sendo posteriormente localizado no quarto de uma adolescente de 14 anos que reside na casa abordada pela polícia.
O adolescente também confessou que retirou a placa da motocicleta especificamente para a ação criminosa, com a intenção de recolocá-la após o crime. Ele apresentou aos policiais o celular utilizado para conversar com a funcionária, e, com autorização, os agentes acessaram o aparelho. Nas mensagens encontradas, havia detalhes precisos sobre o planejamento do roubo.
Confirmação da funcionária e agravantes do caso
Questionada pela polícia, a funcionária confirmou sua participação no crime e admitiu que orientou como a abordagem deveria ocorrer. Nas mensagens trocadas, ela sugeriu inclusive quais funcionários deveriam ser rendidos para dar uma aparência de veracidade à ação. O objetivo principal do roubo, conforme apurado na investigação, era apreender celulares de funcionários e dinheiro do caixa da padaria.
Ainda de acordo com as investigações, uma adolescente de 14 anos intermediou parte da comunicação entre os envolvidos enquanto eles se deslocavam até a padaria. Ela não foi apresentada no plantão policial durante as primeiras diligências.
Prisões e encaminhamentos legais
Com base nas informações obtidas, os policiais foram até a casa do segundo suspeito adulto. Ele tentou fugir ao avistar a viatura, mas foi detido a aproximadamente um quarteirão de distância. Em seu depoimento, confirmou a participação no crime e afirmou que aceitou o convite do adolescente, sob a alegação de que a funcionária já havia “acertado tudo” para viabilizar a ação.
Os três envolvidos foram conduzidos à Delegacia Participativa. O delegado responsável pelo caso concluiu que há indícios suficientes de autoria e materialidade, confirmando a prisão em flagrante dos adultos. O crime foi enquadrado como roubo com agravantes. Os dois adultos também vão responder pelo crime de corrupção de menor, foram indiciados e receberam nota de culpa. O adolescente de 17 anos será encaminhado para as medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Este caso chama a atenção não apenas pela violência do roubo, mas pela complexidade do envolvimento de uma funcionária no planejamento do crime contra seu próprio local de trabalho, evidenciando uma trama cuidadosamente orquestrada através de mensagens digitais.