Foragido do Amazonas é preso no Pará suspeito de homicídios, incluindo de cacique indígena
Um homem de 44 anos, foragido da Justiça no estado do Amazonas, foi preso nesta segunda-feira, 26 de agosto, na cidade de Afuá, localizada na Ilha do Marajó, no Pará. A captura ocorreu após um trabalho conjunto entre as polícias civis do Amazonas e do Pará, marcando o fim da fuga do indivíduo que era procurado por crimes graves.
Suspeito é investigado por dois homicídios em Manaus
Segundo informações da Polícia Civil, o detido, identificado como Alison Muniz Rodrigues, é investigado pela prática de dois homicídios ocorridos em Manaus, capital do Amazonas. Entre os crimes, está o assassinato do cacique indígena Jair Cordovil Trindade, conhecido como Jair Miranha, que aconteceu no ano de 2023. Além disso, o suspeito também está envolvido no homicídio de Alexandre Soriana da Silva, ocorrido em abril de 2025. Ambos os casos se passaram na Zona Oeste de Manaus, área que tem registrado episódios de violência.
A delegada Marília Campello, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), explicou que o alvo vinha sendo monitorado pelos investigadores da unidade. Após a confirmação de que ele estava em outro estado, foi solicitado o apoio da Polícia Civil do Pará para o cumprimento dos mandados de prisão. Com a captura bem-sucedida, o homem responderá por homicídio qualificado e ficará à disposição da Justiça para os devidos processos legais.
Investigação aponta para possível motivação em disputa de terras indígenas
A Polícia Civil está aprofundando as investigações para determinar as motivações por trás do assassinato do cacique Jair Cordovil Trindade. De acordo com o delegado Ricardo Cunha, que foi responsável pelo caso em 2023, uma das linhas de apuração indica que o crime pode ter sido cometido devido a uma disputa por terras indígenas. Como o caso envolveu um líder indígena, trabalhamos com a possibilidade de a motivação girar em torno da disputa de terras indígenas, afirmou o delegado.
Ele acrescentou que Jair Miranha tinha suspeita de uma passagem criminosa, que está sendo investigada, e que todas as linhas investigativas estão em andamento para esclarecer os fatos. O modus operandi do crime foi detalhado pelas autoridades: o suspeito chegou à casa do indígena em uma motocicleta, acompanhado de um comparsa, e ambos se passaram por vendedores ambulantes. Quando Jair saiu de casa para atendê-los, foi alvejado com diversos disparos de arma de fogo. O cacique passou vários dias hospitalizado, mas não resistiu aos ferimentos, culminando em sua morte.
Este caso ressalta a complexidade das investigações criminais que envolvem líderes comunitários e questões territoriais, exigindo um trabalho minucioso das forças policiais para garantir que a justiça seja feita.