Ex-secretário de Segurança de Arujá tem prisão preventiva decretada por assassinato de GCM
Ex-secretário de Arujá preso por matar GCM em véspera de Natal

Ex-secretário de Segurança de Arujá tem prisão preventiva decretada por assassinato de GCM

A polícia concluiu o inquérito envolvendo Uelton de Souza Almeida, ex-secretário adjunto de Segurança de Arujá, suspeito de matar o Guarda Civil Municipal (GCM) Nelson Caetano de Lima Neto. Um pedido de prisão temporária já havia sido expedido contra Almeida, e no dia 22 de janeiro, a Justiça converteu a medida em prisão preventiva.

Decisão judicial destextrema violência e brutalidade

Na decisão, o juiz Guilherme Lopes Alves Pereira justificou a prisão devido ao emprego de extrema violência, que caracteriza o delito de forma particularmente grave. Além disso, também ressaltou a brutalidade e a presença de vulneráveis.

"A vítima foi atacada com disparos de arma de fogo pelas costas [...] O crime foi perpetrado na presença da ex-esposa, da sogra e de quatro filhos menores, sendo dois deles diagnosticados com transtorno do espectro autista em grau severo", explicou na decisão.

"A indiferença do agente ao efetuar disparos letais em ambiente com crianças vulneráveis acentua a necessidade de sua segregação para garantia da ordem pública e proteção dos envolvidos", complementou.

Detalhes do crime ocorrido na véspera de Natal

Uelton é suspeito de atirar 12 vezes contra o GCM de Mogi das Cruzes. O crime aconteceu na noite de 24 de dezembro, na casa onde a atual namorada de Nelson, que era ex-esposa de Uelton, morava em Arujá.

Apesar de separados há cinco anos, a mulher e o ex-secretário dividiam o mesmo imóvel: ele morava na parte superior e ela, na inferior. Na véspera do Natal, a namorada convidou Nelson para um churrasco em sua casa. Quando ele chegou ao local, foi assassinado.

Em 26 de dezembro, o ex-secretário se entregou à Polícia Civil na delegacia da cidade. Segundo o advogado do suspeito, na ocasião, o mesmo foi interrogado pela polícia e contou que agiu em legítima defesa.

Família da vítima desabafa sobre a tragédia

"Não vai ter mais Natal na minha vida". O desabafo foi feito por Shirlei Milani de Lima, mãe do GCM Nelson Caetano de Lima Neto. Ao lado do marido e pai da vítima, o aposentado Nelson Caetano de Lima, ela falou sobre o caso e pediu por justiça.

O pai do GCM revelou que o relacionamento do filho com a atual namorada, ex-mulher do principal suspeito, o preocupava. O suspeito era o secretário adjunto de Segurança de Arujá, Uelton de Souza Almeida, de 40 anos, que foi exonerado do cargo.

"Eu cheguei nele e falei 'Nelson, toma cuidado com essas coisas, porque ele tem filho ali e tudo'. Ele falou 'não, pai, eu já conversei com ele [Uelton], ele está de acordo'", contou o aposentado.

Versões conflitantes e investigações em andamento

Segundo o pai da vítima, na noite do crime, a namorada de Nelson o convidou para um churrasco na casa onde ela morava com o ex-marido. Em mensagens trocadas por celular, o GCM avisou que estava a caminho e levando carne para o evento.

A namorada, então, teria pedido para ele esperar um pouco, pois Uelton ainda estava no local. Pouco depois, ela teria dito que ele já poderia ir, pois o ex-marido havia saído. Contudo, quando Nelson chegou, o suspeito ainda estava na casa e, segundo a família, atirou 12 vezes contra ele.

"O cara estava lá e deu 12 tiros nele", relatou o pai.

Por meio de nota, o advogado de Uelton, Eugênio Malavasi, informou que o suspeito agiu em legítima defesa, apresentando-se espontaneamente à polícia e revelando cronologicamente os fatos.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Guarda Civil Municipal de Arujá foi acionada pelo próprio Uelton, que alegou que sua casa havia sido invadida e pediu a presença de uma equipe. Ao chegarem ao endereço, no bairro Jardim Arujá, os guardas encontraram a ex-esposa do suspeito abalada.

Ela relatou que, na verdade, Nelson havia sido atingido por disparos feitos por Uelton. O homicídio aconteceu na cozinha da residência ocupada pela mulher. O caso foi registrado como homicídio na Delegacia de Arujá.

Carreira política do suspeito e repercussões

Em nota, a Secretaria de Segurança de Arujá informou que Uelton de Souza Almeida foi exonerado do cargo de secretário adjunto e suspenso de suas funções como GCM (seu cargo de origem). A pasta afirmou que irá colaborar com as investigações.

Filiado ao União Brasil, Uelton foi eleito vereador em Arujá, sendo o segundo parlamentar mais votado na história da cidade. Ele está licenciado do mandato desde fevereiro de 2025 para atuar na Secretaria de Segurança.

A Câmara Municipal de Arujá informou que o caso será encaminhado para apreciação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A Casa disse ainda que acompanha os desdobramentos judiciais e "reafirma o compromisso com a legalidade".